sábado, 12 de dezembro de 2009

Livre-Arbítrio Onde e Quando?

"cada um acredita de si mesmo a priori que é perfeitamente livre, mesmo em suas ações individuais, e pensa que a cada momento pode começar outra maneira de viver [...]. Mas a posteriori, através da experiência, ele descobre, para seu espanto, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que apesar de todas as suas resoluções e reflexões ele não muda sua conduta, e que do início ao fim da sua vida ele deve conduzir o mesmo caráter o qual ele mesmo condena." (Schopenhauer)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Orgasmo

Se não existir o destino, com certeza existe a decisão. Decidir compartilhar o prazer e sentir intensamente o carnaval. Receber em seu interior o esperado, sim, o esperado, e se envolver entrelaçadamente, em uma luta que não pressupõe o ganho ou a perda, só o empate na estupefação, que percorre toda a matéria, desde o mindinho inferior, passando pelo coração, alcançando o ápice num sussurro gutural. Luz da lua cheia, calmeiro transcendental.

sábado, 7 de novembro de 2009

Pensamento

"Liberdade e prazer depois do sofrimento... Foi bom ter sofrido!"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ó Morte, tú és mesmo tão forte?

Hoje encontrei inspiração para escrever sobre a Morte.

Na verdade, uma entrevista concedida pelo Vice-Presidente da República, José de Alencar, à revista Veja já tinha feito com que pensasse a respeito, mas hoje, dia de finados, tive reforçada minha inspiração.

No cemitério, enquanto eu acendia algumas velas, auxiliada por meus filhos, o do meio disse, enquanto eu rezava o Pai-Nosso: “Estamos acendendo essa vela porque hoje é dia de halloween” (engoli minha vontade de rir... Rsrs). “É, hoje é dia de halloween”, repetiu ele. Não o repreendi, nem argumentei nada porque quando saímos de casa eu disse que íamos ao cemitério rezar pelas pessoas que já morreram e que hoje é o dia reservado em intenção aos mortos. Se mesmo assim ele preferiu considerar que é dia de halloween, achei que ele ainda não está preparado para saber sobre os mortos nem sobre a Morte - na verdade, sobre o que eu penso a respeito... Rsrsrs

Nem os adultos digerem a idéia de deixar de existir sumariamente, ao menos neste plano, porque eu deveria insistir em explicar a uma criança de cinco anos algo que até a mim parece surreal? Deixei-o com a idéia de que é dia de festa e de ganhar doces... ao menos por enquanto.

Aliás, na verdade foram duas as falas inspiradoras: proferidas na entrevista do político José de Alencar e na declaração da atriz Fernanda Montenegro.

A atriz, no dia em que completou 80 anos de idade, ao final da apresentação de uma peça, disse emocionada ao público presente, composto na maioria por amigos e familiares, que quando acordou naquele dia, chorou muito porque sabia que sua vida dali para frente seria uma incógnita. Convidou os presentes para tomar vinho ou champagne, não lembro, para comemorar seu aniversário, mas em todas as palavras dela senti que a mensagem real era que não tinha motivos para comemorar. Pelas palavras sinceras e realistas, pareceu-me realmente triste.

As palavras de José de Alencar deixaram-me mais irrequieta. De início, admirei-o, para logo depois duvidar dele – claro, observei, refleti, e duvidei.

Pensei na fortaleza que seria uma pessoa que, desenganada pelos médicos americanos especialistas em câncer e cientistas de tratamentos promissores, dá uma entrevista para ser publicada em revista de ampla veiculação nacional, e durante as primeiras horas da primeira sessão de quimioterapia, isso mesmo, durante uma sessão de quimioterapia a que se submetia depois do insucesso do tratamento no exterior.

Não precisaria dizer, mas o farei porque foi justamente essa a circunstância que mais chamou minha atenção: ele fez suas declarações sobre seu atual estado de saúde durante um tratamento que deixa o paciente com náuseas, tonto e enfraquecido. Minha admiração inicial surgiu por causa disso: em uma situação em que nós, humanos, somos postos escancaradamente, indefesos, diante das “fugacidade e fragilidade cósmicas” que representamos, e buscamos, nesse momento, reserva e interiorização, ele preferiu se expor, ainda altivo.

Mas agora penso que deve ser um mecanismo mental de fuga, mas uma fuga justamente desse sentimento de pequenez à que a Morte invariavelmente nos expõe , e na tentativa de, ainda que sob circunstâncias extremamente adversas, manter o poder.

Não consegui separar as palavras de um homem que está sofrendo das palavras de um político que está sofrendo. E ele sinalizou nessa direção ao afirmar que, ao conviver com a doença e com os transtornos que ela lhe causou (fazendo menção à bolsa de colostomia e à dependência de enfermeiros), conheceu a humildade, ressaltando essa virtude como sendo o que de positivo o sofrimento lhe trouxe. Mais especificamente, admitiu que até então sempre fora impetuoso, o que também ele vê como positivo, atribuindo a essa característica o mérito por ter conseguido o que conquistou nas carreiras empresária e política.

É isso. Não quero que tenha uma conotação de frieza ou mesmo de crítica, mas do ponto de vista psicológico, para mim, no sofrimento dele diante da expectativa de morte, a impetuosidade também se manteve presente mesmo nas declarações durante a sessão de quimioterapia, e o faz sentir-se mantendo o poder.

Poder que com a impetuosidade conquistou e sempre manteve durante a vida de empresário e de político, e que quer manter diante da Morte.

A impetuosidade é uma estratégia de ação, e a humildade, de defesa.

E assim, cada qual reagimos de maneiras intrínsecas diante da "Ameaça Absoluta".

Eu que ainda não vivi essas experiências, dos 80 anos e do desengano, estou preferindo a sinceridade crua dos versos de Raul Seixas:

(...)
A morte, surda, caminha ao meu lado,
e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar
(...)
Vou te encontrar vestida de cetim,

Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez, seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
(...)
Ó morte, tu que és tão forte,
vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
(...)

(Canto Para a Minha Morte, Raul Seixas)

Apesar de toda a admiração pelo trabalho da atriz Fernanda Montenegro, mulher cuja dignidade enxergo na pele dela, penso que comemoraria meus 80 anos... Sim, comemoraria grata, alegre e festivamente.

Falar da Morte faz-me recordar alguns velórios... Mas quero falar só de um, por dois motivos: pelo sobrenatural – no sentido daquilo que não se explica cientificamente, e pelo que, hoje, recordo consciente. O velório do meu avô paterno.

Ele se chamava Sábado... E tinha um irmão que se chamava Domingo... Rsrsrs, mas todos o chamavam de Seu Salvador.

Quando ele faleceu eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade e lembro de uma tia comentar com a minha mãe, na noite do velório, que meu priminho de 2 anos tinha passado quase a noite inteira acordado, de pé em cima da cama, esticando as mãozinhas para o teto como que querendo alcançar alguma coisa, e dizendo: “Mãe, é o vô, ele está me dando bala, mãe”. Esse fato foi contado e recontado na minha família porque era do conhecimento de todos que meu vô vivia com os bolsos cheios de bala de mel para dar para as crianças...

Dele, eu só lembro dos olhos azuis. Só dos olhos azuis.

Que Deus o tenha! E me proteja de mim!

Banho de domingo

Aos domingos de manhã costumo tomar um banho beeeeemmmmmm demoraaaaaaaado... Confesso que nesse dia minha consciência ecológica perde para a minha vaidade. Hidrato os cabelos, depilo as pernas, axilas e virilha, esfolio a pele do rosto e do corpo...
Dia de diva... hehehe
Neste domingo (ontem) minha filhinha de 3 anos estava comigo durante esse momento - que dura horas. Ela me auxilia... pelo menos é o que ela acha, né! E é o que importa... Tudo o que faço em mim (menos a depilação, claro), faço com ela também... E ela sai do banheiro tão felizinha.
Mini-Diva. Rsrsrs
Mas desta vez uma frase dela chamou minha atenção: "Mãe, quando eu for adulta eu vou ter um pai para mim?" Huahauhuahau
Eu disse: Claaaaro filha, vai ter sim!!!
Nesse último domingo ela saiu mais feliz do que de costume.
Muuuuuuuuito bom isso.
Thanks God for my life!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Precisava twittar...


Como não tenho um twitter...
Hoje eu tive uma vontade enooooorme de perguntar para uma pessoa se ela já se danou hoje, e claro, esperando que ela dissesse não, dizer para ela ir então!
Chateada, e não sei porque, ainda assim, feliz...Rsrsrs

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mordida de coelho

Durante uma folia com meu filhinho de cinco anos e, enquanto brincávamos de lutar - brincadeira preferida dele - ele disse, com a clara intenção de me provocar: "Mãe, quando você abre a boca esses seus dois dentes da frente parecem dente de coelho"... Achei engraçado ele falar isso porque eu acho que doeu a mordidinha que eu dei no bumbum dele e foi uma forma que ele encontrou de me dizer isso. Mas continuamos a "luta", que consistia em eu conseguir dar beijos nos sovacos dele e ele conseguir dar mordidinhas nas minhas bochechas... Rsrsrs
Ele conversa prá caramba!!! Já foi logo emendando que o amigo João Pedro adora a cor vermelha. Então perguntei qual é a cor preferida dele, ao que prontamente e todo seguro de si respondeu: "Eu gosto de todas, menos o rosa!". Machistazinho ou um menino não pode mesmo gostar do rosa, heim? Para mim tá bom assim... hahaha, desde que ele respeite o rosa... hehehe. Ai, tá parecendo um quê machista, mas não é não... é só inquietação de mãe mesmo.
Sei que ele não fez referência inconsciente ao feminino, só quis evidenciar algum referencial masculino que ele viu ou ouviu em algum lugar...
Empatamos a luta.

sábado, 24 de outubro de 2009

Amo muito tudo issoooooooooooooo (slogan do MacDonald's tá! Mas também expressa tanto o que sintoooooooo)
Ai, agora preciso de um Twitter... huahauhuahau
Thanks God for my life!!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sinto saudades do que virá...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pirulito que bate, bate.

Hoje meu estado emocional pode ser comparado à uma situação que já me foi tão corriqueira: uma criança que chupa pirulito pela primeira vez.
A criancinha baba, se meléca toda, nem percebe que o multicolorido do doce lhe escorre pelo pescoço, manchando suas vestes, geralmente de festa, porque o primeiro pirulito não lhe é dado em ambiente familiar e doméstico, e sim, num ambiente social, como no de uma festa.
Inabilidade. Lambuza-se.
Os pais devem ser solidários e compreensivos porque a cada pirulito novo a criancinha desenvolve suas habilidades até que a certa altura da infância degusta o pirulito inteiro sentindo o prazer de toda a saliva percorrer seu aparelho digestivo, e não o tecido de um vestido de festa.
Hoje manchei, irremediavelmente eu sei, um delicado vestido colorido de festa.
Inabilidade afetiva. Lambuzei-me.
E o mundo não é solidário e compreensivo como todos os pais deveriam ser.
Mas a esta altura da minha vida, ainda creio poder desenvolver e aprimorar sempre minhas habilidades emocionais, e poder sentir a plenitude de dar e receber afeto.
Eu nunca vi uma criança rejeitar um doce por medo de se lambuzar, mas já vi por medo da repreensão de pais insipientes.
Engraçado: ninguém em uma festa pega no colo uma criança toda lambuzada de doce... a não ser o pai ou a mãe.
Lambuzada. Presa inconscientemente ao passado e antevendo o futuro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Confessional

Já quis e algumas vezes fui obrigada a ser uma filha exemplar
Para só muito depois perceber que eu não seria feliz
Já blasfemei Deus
Para depois perceber que era só porque queria sentir-me digna Dele
Já quis o celibato
Para depois perceber que não honraria a promessa
Já quis só ser desejada
Para depois perceber que o vazio grande demais seria insuportável
Já quis zelar pelas pessoas idosas
Para depois perceber que eu teria que alcançar a minha própria maturidade
Já quis responder e ser pelas criancinhas desamparadas
Para depois perceber que as feridas da minha criança podem cicatrizar
E que, hoje, três me estão próximas e precisam de mim
Já quis ser a melhor pessoa do mundo
Para depois perceber que controlo meus horrores
Já fiz promessas, nenhuma em vão
Para depois perceber que realmente, naqueles momentos, meus pés não marcaram o chão
Já quis ter a liberdade de uma errante,
embora nunca tenha tido,
Para depois perceber que meu equilíbrio depende de uma base familiar à que eu possa dedicar-me e recorrer a qualquer instante
Eu já quis...
Para depois perceber que só preciso ser eu mesma...
Mas não sempre a mesma – Rsrs
Isso já foi difícil...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pensamento



"Conviver - esta é a palavra-chave da modernidade, com o maior espectro imaginável de aplicação -, e tal qual, boa e ruim. Na mesma medida em que conviver e saber conviver é preciso, também é terrível, porque no processo de modernização, individualidade e subjetividade foram enaltecidas e moldadas, sobremaneira.
Entre o individual e o coletivo deve equilibrar-se o ser moderno com a sobriedade que deve ter um equilibrista na corda bamba."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pensamento


"Prefiro as opções que surgem diante de um precipício às que surgem diante de uma encruzilhada"

terça-feira, 7 de julho de 2009

Repassando para todas as mulheres que batalham, que lutam para serem felizes!


MULHERES POSSÍVEIS
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

(TEXTO ESCRITO POR MARTHA MEDEIROS - Jornalista e escritora, publicado na revista Jornal O Globo)

Oração Orada


Sinto-me tão forte ... tão forte ... e tão frágil ... tão frágil
Todavia, impassível por demais necessário se fez
Aparentemente ...
Enxergar além do que se vê
Ouvir além das palavras que são ditas
Sentir além do que se toca e do que se inspira
Faz-me assim contraditória
Permita, Senhor,que eu enxergue apenas o que está diante dos meus olhos,
que eu ouça apenas o que chega aos meus ouvidos,
que eu sinta apenas o que me é tocado e o que eu toco,
que eu inspire apenas o ar em meus pulmões
E alcance equilíbrio e igualdade na imperfeição ...
Ou então, perfeita que sou sob Seus olhos,
dê-me o benefício da assertividade e do discernimento
diante de tudo o que vejo, ouço e sinto
Quando, finalmente, e penso humilde agora ...
poderá haver repouso no cadinho das minhas emoções. Amém.
(Em 12.09.2008)

domingo, 5 de julho de 2009

Pensamento

"Não devemos nunca subestimar o instinto de sobrevivência de um animal, racional ou não, quanto mais se ele estiver cercado por sua família, originária ou não..."

sábado, 4 de julho de 2009

Porque e para que ser tão forte?




A primogênita tem 10 anos. E o que a mãe dela esperava nunca existir entre elas, aconteceu: tiveram uma briga que culminou em vias de fato – termo jurídico utilizado para o contato físico hostil, que não chega a ser agressão de que resulta lesão corporal, talvez uma marquinha na alma... No caso delas, entretanto, penso que saíram ilesas física e emocionalmente, e que a genitora não se iludiu acreditando nisso.

Já li em uma latinha da Johnson & Johnson a seguinte frase: “Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”, que resume o que se passou entre mãe e filha naquela manhã, pois, apesar de ter sido uma experiência ruim, foi possível perceber que a mãe aprendeu com a filha e com o pequeníssimo drama que vivenciaram – talvez ínfimo diante do que se vê e se ouve passar entre outras mães e filhos. Realmente, ser mãe é um aprendizado.

Quando os três filhos daquela mãe declaram guerra simultaneamente – mas geralmente é de dois por um... sempre tem um deles que assume o estereótipo misto de acusador-defensor-árbitro perante o julgador oficial (que, via de regra, é ela, a mãe) – que fica tão em dúvida, sente-se tão dividida e, portanto, inoperante, tão de mãos atadas, sem saber a quem dar razão, de quem tirar a razão, que raras são as vezes em que tem certeza do merecedor da disciplina.

Aprendi esse termo – “disciplina” - com uma espirituosa garotinha de 3 anos, quando ela disse que na escolinha ela nunca foi para a “cadeira da disciplina” – engraçado, na casa dela eu sei que ela vai sempre... Rsrsrs.

E o choro? Inclusive do ainda-não-identificado merecedor da disciplina, é copioso e digno de muita dó. Com receio, a mãe pensa: “Mas meu Deus eu sou apenas uma... como lido com os três sem ser injusta e arbitrária?”; “Será que estou sendo uma boa mãe”?

Às vezes não, certamente, e principalmente quando os ânimos dos quatro, ou dos cinco, estão alterados... embora no geral percebe-se que eles estão se saindo bem...

Com relação ao episódio supramencionado, cada um dos filhos ganhou uma bola em um aniversário, sendo que a da filha mais velha, e a do filho de 5 anos, eram da mesma cor – amarela -, mas a da primogênita era visivelmente maior. No dia seguinte, o irmão pediu para que sua mãe enchesse mais a bola dele para que ficasse do tamanho da da irmã, o que foi prontamente feito, mas, após várias tentativas, ainda não ficou do tamanho da outra porque não era o caso de enchê-la mais, a bola era realmente menor. Então, talvez vendo a dedicação que a mãe dispensava ao filho, por ciúmes a garota resolveu “infernizar” o irmão, dizendo que a bola dele era a dela, e vice-versa, deixando-o muito irritado. Como ela insistia em irritar o irmão, mesmo com a mãe pedindo para que parasse com aquilo, a mãe resolveu dar razão a ela e concordar que a bola dela (a maior) era realmente a do irmão, ao que, então, vendo que ficaria com a menor, ela voltou atrás e disse que tinha se equivocado. Mas isso depois de ter armado um pampeiro, e com uma carinha deslavada de enervar qualquer um.

A menina pegava a bola maior e mãe pegava de volta, entregando-a ao irmão, e assim sucessivamente até ficarem bastaaaaaaante irritadas uma com a outra. E o irmão esgoelando. Foi quando não vencendo a mãe fisicamente, a menina deu um tapa no braço dela... pela primeira vez... quando a mãe pensou: “espero que tenha sido o primeiro e o último”. Ela não revidou, obviamente, mas falou energicamente que jamais admitiria aquilo, e que era para a filha pedir desculpas antes de ir de castigo para o quarto. Ela foi... sem pedir desculpas...

Passado algum tempo, e vendo que a filha estava chorando, a mãe insistiu nas desculpas, mas começou a briga de novo, quando, então, ela se debruçou sobre a menina, que estava deitada na cama, e disse que só sairia dali (de cima dela) depois que se entendessem. A garota virou “o bicho” e o desespero bateu na mãe, diante do receio de estar errando, que começou a dizer o quanto a amava, tudo que tinha vivido desde o nascimento da filha, coisas que a fizeram ser mais forte e que a impulsionaram até aquele momento, quando então, emocionada, a mãe começou a chorar. De repente, o cenário mudou.

Ainda chorando e debruçada sobre a filha, ela sentiu os bracinhos finos entrelaçarem suas costas e as mãozinhas a afagarem. Nossa! Dá para imaginar a sensação... trocaram de lugar... A mãe sentiu-se tão infantil, e percebeu a filha tão madura e forte. Então a menininha, agora doce, amorosa, e absolutamente segura de si, disse: “Mãe, me desculpa, tá”, continuando a consolar a mãe com seus toques suaves, mas firmes. O alívio da genitora foi tão grande porque, esqueci de dizer, quando a filha estava enfurecida, disse que a odiava. E o respeito da mãe em relação àquela filha também foi tão grande porque com ela aprendeu que uma mãe não precisa ser sempre uma fortaleza, que a gente pode chorar sim, ficarmos sim em dúvida, em desespero, e frágeis.

Ela percebeu quão digna foi a filha, que também soube perceber a angústia dela e sentir empatia. Ela sofreu com o sofrimento da mãe.

Mas o mais interessante, que me motivou a escrever sobre isso porque chamou minha atenção, foi a circunstância de, como em um passe de mágica, todo aquele ódio verbalmente declarado transformar-se em um toque tão caloroso, afetuoso e tão cuidadoso, diante da fragilidade da mãe. Terá sido mesmo fragilidade? Só sei que diante do choro a menina sucumbiu, e foi possível, então, que todo o amor que sentem uma pela outra viesse à tona, contagiando os ânimos tão alterados, até então. Deve ser algum mecanismo psicológico que faz com que uma força se sobreponha à outra, numa escala gradativa e crescente, como que se contrabalanceando, sendo que, quando uma dessas forças, inopinada e bruscamente deixa de existir, a outra também não tem mais porque existir...

Já vi isso antes em outros episódios que não domésticos e familiares, como quando a mulher de Bill Clinton, ex-Presidente dos Estados Unidos, Hillary Clinton, era praticamente invisível à sociedade americana, ou quando não, mal-vista, apesar de ter uma carreira profissional bem sucedida. Era tida como megera que controlava tudo, inclusive o marido. Mas quando a sociedade a viu como mulher-traída (em virtude do malsinado e conhecidíssimo episódio envolvendo seu marido e a secretária), vítimizada por um escândalo de cunho sexual que mobilizou a mídia internacional e os humoristas de plantão, possivelmente ela passou a ser vista como “mulher no seu devido lugar” e agora merecedora da empatia popular. Tanto que a partir de então, teve apoio incondicional na política daquele país.

Paralelo interessante: figuras femininas fortes como Hillary Clinton, Condoleeza Rice, Luíza Erundina, Marta Suplicy, e, em outras épocas, Joana D’Arc, a Rainha Elizabeth, a ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher, Olga Benário, e muitas outras, correspondem a estereótipos bem distantes dos ostentados por aquelas figuras femininas romantizadas dos contos de fadas. Minha nossa, coitada daquela que não espera um príncipe encantado! Dessa geração, que ouvia essas estorinhas, também, quem não espera o príncipe encantado é porque foi desacreditada... e isso também não é bom. Cada um e cada uma deveria ser o que é, e ser o que basta.

Bem, como já estou divagando demais, vou descer de para-quedas da minha nuvem rosa, e terminar este texto com a pergunta que o intitulou: Porque e para que ser tão forte?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Temos olfato... Talvez falte tato...

Cheiro de cigarro lembra o hálito da minha mãe
Cheiro do corpo suado da minha mãe lembra o significado do trabalho
Cheiro de Avanço lembra meu paizinho querido
Cheiro de Pingo d’Ouro lembra gentileza de amigas na época do colégio
Cheiro de "café coado na hora" lembra "converseiro sem fim"
Cheiro de sangue lembra uma pergunta: tô pronta pra quê?
Cheiro de chuva lembra felicidade e liberdade
Cheiro de capim lembra paz
Cheiro de chocolate ao leite lembra prazer absoluto
Cheiro de Lou-Lou lembra responsabilidade
Cheiro de uva itália lembra amor para toda a vida,
lembra também que é possível ter individualidade
Cheiro de iogurte de morango Chammy lembra insensatez
Cheiro de Angel lembra vida nova, com segurança e ousadia
Cheiro de Bulgary for Man lembra sexo delicioso
Cheiro de Hypoglós lembra cuidados essenciais
Cheiro de babosa lembra que o amor deve ser, sempre, incondicional
Hummmm, cheiros bons, muito bons...
Um pouco de asco
Um pouco de trabalho
Um pouco de carinho com amor
Um pouco de amizade verdadeira
Um pouco de conversa
Um pouco de dúvida
Um pouco de felicidade
Um pouco de liberdade
Um pouco de paz
Um pouco de prazer
Um pouco de responsabilidade
Um pouco de amor-para-toda-vida
Um pouco de individualidade
Um pouco de insensatez
Um pouco de ousadia
Um pouco de sexo
Um pouco de cuidado para com quem amamos
Um pouco de amor-de-mãe
Ah!!!!
Na dose exata , como o cheiro de um perfume francês
Na medida certa, para não sobrar ou ter efeito adverso
Tudo misturado: cheiro de vida!!!
E continua sendo bom ...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Meu Grito Escrito

Às vezes escrevo porque quero gritar
Às vezes quero gritar de alegria
Às vezes quero gritar de raiva
Às vezes quero gritar de indignação
Às vezes quero gritar de dor
Às vezes quero gritar por amor
Paradoxal grito em silêncio

Na pseudo-surdez das palavras não ditas
Enquanto palavras escritas e nesse prisma, mudas
Posso considerar minhas palavras escritas
Palavras pseudo-surdas-mudas

Expressam-se
Mas não ouvem, tampouco gritam sonoramente

Ouçam meu grito de alegria! Ouviram?
Uma criança sorriu

Ouçam meu grito de raiva! Ouviram?
Fui aviltada

Ouçam meu grito de indignação! Ouviram?
Presenciei outro alguém ser aviltado

Ouçam meu grito de dor! Ouviram?
Diante da incompreensão e do desamor

Ouçam meu grito de amor! Ouviram?
Diante da Vida e da Criação

Minha expressão!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Regra Geral

Os homens são quem correspondem ao sexo frágil
As mulheres sempre têm sexo quando querem, invariavelmente
Os homens não têm sexo sempre quando querem
Por vezes mesmo se utilizando de técnicas de sedução
As mulheres são do sexo forte porque sucumbem apenas ao amor
E os homens, não
Mas isto, como toda regra geral, e justa, comporta exceção

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pacto Nupcial do Futuro

Li um texto já há algum tempo sobre os tipos de relacionamento que a subscritora, cujo nome não me recordo, acredita configurarem-se em um futuro próximo. Lembro-me apenas de que se tratava de uma psicanalista e que o texto também divulgava um livro da autoria dela, salvo engano, em parceria com o marido. Como é recente a redação de textos para este blog, quando li o artigo não me preocupei em guardar o nome da autora, a fim de utilizá-lo em citações futuras, como essa, para não correr o risco de estar plagiando a idéia de alguém. Mas aqui, pelo contrário, não é possível plagiá-la porque sou contrária à assertiva dela. Não sou crítica, de profissão, nem almejo a comodidade cínica de apenas rechaçar argumentos de outrem, mas quero aqui dar o meu pitaco, ora, sobre um assunto que me interessa.

Basicamente, ela afirma que as pessoas têm diversos tipos de necessidades físicas e emocionais, as quais são transportadas para os relacionamentos, de forma que, se o relacionamento atual é perfeito no sentido de preencher completamente uma necessidade específica, como o sexo, por exemplo, mas deficiente no aspecto do companheirismo, seria lícito e moral, portanto, ético, ao consorte carente dessa necessidade, buscar satisfazê-la junto à outra pessoa. E assim sucessivamente: se tenho com meu marido ou esposa um relacionamento prazeroso em termos de amizade, afinidade e companheirismo, mas o sexo deixa a desejar (por inúmeros motivos, quer físicos, biológicos ou psicológicos), se poderia, simplesmente, buscar legitimamente o prazer sexual com outro homem ou mulher.

Para corroborar suas idéias, a autora referiu-se a um tipo de conduta, salvo lapso de memória, que socialmente era muitíssimo reprimida há algumas décadas atrás, e que hoje, essa mesma sociedade vê com naturalidade, como a gravidez de uma mulher solteira.

Na minha ótica, entretanto, nossa sociedade atual, fracassada, parafraseando Lia Diskin, esquece-se, como a maioria dos mortais, de avaliarem minuciosamente as consequências de seus atos, movendo-se tão somente pelos desejos.

Tradicionalismo à parte, penso que perdi parte do script, pois não consigo ver com naturalidade uma criança ter seu desenvolvimento físico, psicológico, emocional e mental, acompanhado apenas por uma mulher ou apenas por um homem, a não ser, por óbvio, em caso de força maior. Também não vejo com isenção crianças repassarem lares em razão da leviandade ou inconstância ou imaturidade de adultos por elas responsáveis, ou que, pelo menos, deveriam ser por elas responsáveis.

Isso não significa, entretanto, que estou aqui a dizer que a instituição do casamento é uma condenação perpétua à vida em comum insatisfatória. Não, longe disso – sou pela vida em quaisquer circunstâncias -, porque, talvez assim, as conseqüências para o desenvolvimento das crianças seriam mais perniciosas em um ambiente com ausência de amor (em razão de todas as sabidas decorrências que a ausência de afeto acarreta em uma família). Cumpre dizer, também, que o ser humano às vezes tem uma habilidade para amar pelo avesso, na verdade, ama, mas não demonstra, ou porque não aprendeu ou por egoísmo mesmo.

Mas o que fazer se a relação conjugal é insatisfatória? Quero dizer, ficou insatisfatória, porque, afinal, quando se decide “ficar junto”, formalmente ou não, certamente tudo é muito satisfatório e ideal até então.

A resposta é “depende” porque, se o nível de insatisfação é tamanho, a ponto de se poder concluir que o amor deixou de existir, sim, é melhor decidir pela separação responsável, e, agora, com a maturidade que não se teve na união. Se a insatisfação é relativa a alguns aspectos do relacionamento, a conversa franca, o diálogo aberto, o valor que se dá ao que se viveu até o momento, ou mesmo a ajuda de um terapeuta, ajudará o casal a entender a dinâmica do seu relacionamento, invariavelmente, a meu sentir, influenciado por conteúdos inconscientes. É nesse ponto que penso diferente. Ora, que praticidade, não? Não me serve para o sexo, então “transo” com outro; não me serve para companheiro, então deixo meu marido em casa e vou ao cinema com outro; é infértil, faço sexo com outro mais viril e tenho meus filhos. E aceito placidamente que meu marido também faça o mesmo. Balbúrdia.

Não existem relacionamentos perfeitos, as pessoas mudam, isso é natural com a idade, com a maturidade, com as vivências sociais e profissionais, mas jamais poderia ser argumento para uma separação, principalmente quando o casal têm filhos, ou para um laissez faire laissez passer de relacionamento.

Precisamos aprender que há conseqüências para tudo, exatamente tudo o que se faz, e esse é o motivo de sermos, hoje, sim, uma sociedade fracassada, na verdade, ouso enxergar mais além, um mundo fracassado. A humanidade cresce desenfreada em termos de conhecimento, que nada adianta diante do que efetivamente se produz. Rosas caem em todo o mundo, diariamente, não só na Palestina (referência que faço à menina Rosa, de 5 anos, que foi fatalmente atingida durante o recente conflito na faixa de Gaza, e cuja foto divulgada pela internet mostrava seu inocente corpinho, desfalecido). Dá para acreditar que depois do holocausto, depois de Hiroshima, e de tantas outras tragédias sociais, ainda haveriam guerras em pleno século XXI? Não quero perder minha ingenuidade... Acho interessante quando a mídia diz, como que confortando o mundo, que não morreram civis, e como que dizendo que as centenas de vidas de militares tivessem que ter mesmo a morte como destino possível e aceitável. A paz nunca existiu e nunca vai existir, mas temos o dever de procurar mantê-la ao menos no microcosmo da família.

Peço licença para um “à parte”, mas em um giro que também evidencia a degradação ética que vivemos não só na instituição da família, e dizer aqui, expondo meu antigo e profundo sentimento de repulsa à morte de Sadam Husseim. Putz, novamente perdi parte do script... Apesar de não estar totalmente informada das condutas daquele ditador, mas pelo que vi na mídia eram das mais cruéis, percebo diferente algumas formas de punição. Tudo o que foi globalmente conquistado em termos de direitos humanos, não se aplicou a um ser humano. Barbárie legalmente redimida pela barbárie, com a esquisitice de imagens do enforcamento dele “vazarem” para a imprensa global, espoliativas da dignidade de qualquer ser humano, por mais vil ou cruel que tenha sido em vida. Em suma, ele foi brutalizado por causa das brutalidades que cometeu – antiga e primitiva lógica punitiva da lei do talião: “olho por olho, dente por dente”, segundo a qual o criminoso deve ser punido talmente, ou seja, punido com o mesmo dano que causou. Cogitou-se da pena de prisão perpétua ser tal qual? Evoluímos ou fracassamos? Somos quase Deuses!

Outrossim, divagando um pouquinho mais, apesar de serem quase irrefutáveis as conclusões do cientista japonês Massaro Emoto (in “Quem Somos Nós” - documentário), de que, sendo a água o princípio de toda a vida, se toda a humanidade tiver amor e gratidão pela água, haverá paz no mundo todo, no meu íntimo, aqui “dentrinho de mim”, como diz minha amiga Maria Fernanda, duvido muito disso. Não discordando das conclusões mostradas pelas fotos tiradas dos cristais da água, mas duvidando - duvidadora que sou -, de que toda a Humanidade teria a humanidade necessária para demonstrar tal amor e gratidão. Ora, ainda somos, enquanto seres humanos em evolução, incapazes de demonstrar amor e gratidão ao próximo, como esperar uma mobilização mundial pela água? Perdoem o meu pessimismo, mas talvez isso aconteça quando esse bem for absolutamente escasso...

A escritora Lia Diskin afirma que duas datas exemplificam o modelo fracassado de sociedade na qual vivemos: o “11 de setembro de 2001” – que dispensaria comentários, mas confesso que chorei, sozinha, vendo aquelas torres caindo ene vezes, pessoas pulando antes disso, sob diversos ângulos -, e 5 de fevereiro de 2007, quando cientistas do mundo todo apresentaram um relatório internacional afirmando que as mudanças climáticas do planeta, consubstanciadas no desequilíbrio do ecossistema, são decorrentes das atividades da espécie humana, e não se trata, portanto, de um rearranjo interno do planeta, como afirmavam alguns. Ela afirma, contundente: o modelo atual de sociedade é fracassado e de sofrimento, e não só para os humanos, mas para toda a natureza.

E a defesa dessa pensadora também cabe neste texto, para demonstrar minha contrariedade ao modelo de relacionamento do futuro, o qual rotulo, aqui, de “pacto nupcial do futuro”. Para ela, um dos primeiros passos para rever esse modelo de sociedade fracassada é a reflexão sobre o que é necessidade e o que é desejo, sendo “preciso entender que a necessidade é finita e mensurável, já o desejo é infinito”.

Esse “pacto nupcial do futuro” - estamos juntos, mas o que faltar eu busco fora -, representa para mim o golpe de misericórdia na instituição da família, e não há jurídico que possa prever as maléficas consequências para o convívio familiar e social. Sobrará para a psicologia familiar, social, e, inclusive, para a institucional, quando não, para a psiquiatria.

A sociedade agora globalizada, precisa mais do que nunca de indivíduos rijos - inteiros, capazes emocional e intelectualmente, autoconfiantes -, e é dever da família, e também da própria sociedade, pensar em tudo que possa garantir o desenvolvimento pessoal nesse sentido. Caminhamos a passos lentos, mas podemos considerar as creches, o aumento da licença-maternidade de 04 para 06 meses, algumas instituições e empresas já contarem com apoio de terapeutas em seu quadro, o ensino de filosofia já nas primeiras séries escolares, etc., como um alento de esperança.

Cheguei a pensar que temos liberdade demais, mas ainda refletindo, percebi que não se trata de excesso de liberdade – enquanto direito fundamental nunca será excesso -, falta mesmo é discernimento aos jovens e adultos cidadãos para se poder filtrar eticamente absolutamente tudo o que aparece estampado em programas televisivos, jornais, revistas, outdoors, discursos de docentes, políticos, e até mesmo de alguns pais, e por incrível que pareça, até nos rótulos de produtos de supermercados... As crianças que exercitarem desde tenra idade a reflexão ética – que gosto de chamar de discernimento, enquanto capacidade de distinguir entre o Bem e o Mal, para mim e para o próximo – serão os pais, os políticos, os educadores, ou a mídia de amanhã, ou seja, serão os indivíduos rijos de que nossa sociedade precisa, iniciando um ciclo certamente mais promissor.

Penso que o “pacto nupcial do futuro” não passaria por aquele filtro.

Não se está aqui a defender verdades absolutas. Embora esta visão não seja eminentemente religiosa, não se ignora que foi a religião que passou a defender a instituição da família, com todos os seus consectários – monogamia, sexo apenas para procriação, dever de obediência aos pais, etc -, para que as pessoas pudessem conviver em paz e harmonia. Mas também existem outras culturas e religiões que pregam a poligamia, o suicídio em prol de causas políticas ou religiosas, e para esses códigos, paz e harmonia também existem, ainda que seja às custas da liberdade de mulheres e da total falta de liberdade individual, em termos de discernimento.

Por derradeiro, impende se afirmar, infelizmente, que, ainda que se tenha um mínimo de discernimento, nossa sociedade se estruturou de tal forma que dificilmente conseguimos passar, como eu ao redigir este texto, da indignação, do sentir-me escandalizada com o que vejo, ouço, leio e com o que, às vezes, mesmo contrariada, tenho que viver. Conforta-me um tantinho ver o esforço de muitas famílias para, ao menos nesse microcosmo, formarem filhos dignos e rijos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

No sinal vermelho

Já pararam para observar os artistas que se apresentam nos “zebra-crossing” da vida? Pois é, essas pessoas, em geral muito jovens e quase inexplicavelmente felizes, apresentam números de malabares e algumas singelas encenações durante os efêmeros 30 segundos vermelhos em um cruzamento. Na foto ao lado, Alan Júnior e Liro John fazem malabarismos com tochas no cruzamento da Avenida Marechal Rondon com a Rua dos Mineiros, na cidade de Ji-Paraná-RO, e autorizaram a publicação desta foto.

Trânsito é sempre trânsito, mesmo em cidades que não se caracterizam como grandes centros. Motoristas de toda sorte: jovens, adultos ou idosos; homens ou mulheres; atrasados e impacientes ou não; nervosos ou tranquilos; generosos ou egoístas. Para essa platéia variante, deslocada dos assentos das casas de shows para os respectivos assentos de seus automóveis, e portanto imprevisível, esses artistas se apresentam sob sol ou chuva, estampando semblantes de alegria e de compromisso, não com o sistema, mas com a vida que elegeram para si, proporcionando instantes sui generis aos que tiveram a sorte ou o azar de terem posicionado seus veículos nas primeiras fileiras que proporcionam melhor visibilidade.

Digo “inexplicavelmente felizes” porque eles estão na contramão do que social e estupidamente se estabelece como sinônimo de felicidade: o sucesso. Recebem pela apresentação nada mais do que seu público quer e pode dar, e não os R$ 680,00 por pessoa na categoria tapis rouge, cobrados pelo mega e internacional Cirque du Soleil. Não desmerecendo de forma alguma o trabalho de todos os integrantes dessa trupe-empresa. O trabalho deles é extraordinário, de dom também quase inexplicável, desde a técnica até a logística. Só questiono o porquê de algumas pessoas pagarem os R$ 680,00, satisfeitíssimas, e não o R$ 1,00 certamente muito bem vindo aos artistas dos semáforos, valores esses proporcionais à logística de cada qual.

Os artistas do semáforo escolheram seu trabalho. Sim, escolheram, porque, obviamente, a sociedade e o sistema que a rege (significando sistema econômico-financeiro e mercado de trabalho, com todas as regras que os caracterizam e determinam) lhes oferecem outras opções, como cursar uma faculdade, ou prestar concursos públicos se tiverem a escolaridade exigida, ou talvez enfrentar a concorrência na atividade privada. Não consigo deixar de ironizar, mas talvez, ainda, mendigar um quintal para carpir ou tão somente mendigar, ou, ainda, naquele tempo efêmero do sinal vermelho, durante a madrugada, vender drogas ou assaltar. Minha imaginação ainda permite vislumbrar a delinqüência e o auto-flagelo dos andarilhos e dos meninos e meninas de rua usuários de drogas.

Mas optaram, graças, pela arte e por distrair pessoas sensíveis que ocasionalmente encontram-se detrás de um volante, sabe-se lá com que humor. Só mesmo a sensibilidade permite que aqueles segundos do sinal vermelho liberem nossa mente do estresse do corre-corre nosso de cada dia. A arte em si é terapêutica, quase um convite como o de Camões em sua celebríssima frase: “Cesse tudo o que a musa antiga canta porque outro valor mais alto se alevanta” – sem intenção de literalidade. Adaptando para a sensação no semáforo: “Cesse, por alguns segundos, o estresse até certo ponto necessário, para que eu higienize a minha mente e continue meu labor diário”.

Afirmo que os artistas daqueles segundos coloridos de vermelho apresentam-se para os que tiveram sorte ou azar porque considero sortudos os sensíveis e os bem-humorados. Mas não estaria sendo leal a mim mesma se desconsiderasse a insensibilidade dos que se referem àqueles jovens qualificando-os de “vagabundos”. Recuso-me a comentar porque sou sensível...

Eu pago pelo trabalho deles. Já paguei também pelo tapis rouge. Aos do semáforo, todavia, preciso computar o quanto posso retribuir mensalmente pela higiene mental que me proporcionam porque, afinal, passo diariamente, mais de uma vez, por um semáforo sob o qual alguns deles trabalham.

Retribuo pela higiene mental, como disse.

Retribuo pela coragem.

Retribuo pela simplicidade.

Retribuo pelo desprendimento.

Retribuo pela iniciativa.

Retribuo pela arte.

Na última vez que retribuí, no cruzamento da avenida Vieira Caúla com a Rio Madeira, na cidade de Porto Velho-RO, o jovem artista, despretensiosamente, disse-me: “Obrigado bonitinha”. Putz, ele ainda teve a gentileza de retribuir com um elogio simpaticíssimo. Senti sinceridade e despretensão, o que, diga-se, é peculiar aos artistas, e o que me fez ter o impulso irresistível de escrever o que já estava em meu coração desde minhas passagens diárias por um semáforo na cidade de Ji-Paraná-RO, onde resido.

Além do que, aos 3.6 e três filhos, um elogio sincero e despretensioso é sempre bem vindo!! Hehehehe.

Sejam bem-vindos

Sei que meus primeiros leitores serão parentes e amigos queridos, então, pretendo que este texto de boas-vindas tenha um toque de muita intimidade e afeição. Sejam, pois, realmente bem-vindos ao meu blog, que não será apenas um diário, não, afinal, todos têm uma noção, ainda que sutilzinha, do dia-a-dia de uma mulher mãe-profissional-esposa e, quando sente necessidade (só quando...rsrs), dona-de-casa.

Na verdade, pretendo que este espaço virtual tenha a conotação da minha garganta, que ainda sinto estranha, ou seja, aqui serão expostas idéias, conclusões pessoais, poesias minhas ou não, acontecimentos e impressões importantes (ao menos para mim...) do cotidiano - embora saiba que dificilmente conseguirei postar diariamente, mas me esforçarei para fazê-lo semanalmente, ao menos. Apesar do aspecto diversificado dos textos que publicarei, o tema central será sempre nosso aprimoramento como seres humanos. Sim, pois é, permitam que eu diga, às vezes não parece né, mas somos humanos. E assim, com uma fórmula bem simples: passíveis de erros e acertos, embora saibamos que, de acordo com a evolução de cada um, alguns erram mais, outros acertam mais, e o ciclo evolutivo segue seu curso rítmico e divino.

Percebi minha necessidade de expor minha, digamos assim, "garganta estranha", quando fiz minha página no orkut. Fiquei realmente maravilhada com a possibilidade de saber sobre parentes e amigos que há muito não via, mas na mesma proporção fiquei decepcionada com a falta de espaço para minha expressão, tanto que, passados alguns meses, somado à circunstância de eu estar otimizando meu tempo, cometi um orkuticídio. Então, quando um amigo pediu que eu lesse e fizesse um comentário a respeito de um post dele, percebi que o espaço de um blog seria o ideal para mim. Esse primeiro contato com a blogosfera evidenciou o motivo da minha insatisfação com o orkut, e que seria melhor eu me expressar em um espaço como esse, e não no orkut, por meio de meus sinceros, calorosos e intensos recados. É, sou assim mesmo, sincera, calorosa e intensa, portanto, não se surpreendam nem se espantem se estes três adjetivos impregnarem ou permearem meus posts.

Espero ansiosamente, como de costume, que por meio dos textos aqui publicados, sintam e compartilhem alegrias, tristezas, revoltas, sofrimentos, indignações e prazeres, e que, se forem sensíveis e perspicazes, também possam ouvir minhas gargalhadas...

Sejam bem-vindos!