Li um texto já há algum tempo sobre os tipos de relacionamento que a subscritora, cujo nome não me recordo, acredita configurarem-se em um futuro próximo. Lembro-me apenas de que se tratava de uma psicanalista e que o texto também divulgava um livro da autoria dela, salvo engano, em parceria com o marido. Como é recente a redação de textos para este blog, quando li o artigo não me preocupei em guardar o nome da autora, a fim de utilizá-lo em citações futuras, como essa, para não correr o risco de estar plagiando a idéia de alguém. Mas aqui, pelo contrário, não é possível plagiá-la porque sou contrária à assertiva dela. Não sou crítica, de profissão, nem almejo a comodidade cínica de apenas rechaçar argumentos de outrem, mas quero aqui dar o meu pitaco, ora, sobre um assunto que me interessa.
Basicamente, ela afirma que as pessoas têm diversos tipos de necessidades físicas e emocionais, as quais são transportadas para os relacionamentos, de forma que, se o relacionamento atual é perfeito no sentido de preencher completamente uma necessidade específica, como o sexo, por exemplo, mas deficiente no aspecto do companheirismo, seria lícito e moral, portanto, ético, ao consorte carente dessa necessidade, buscar satisfazê-la junto à outra pessoa. E assim sucessivamente: se tenho com meu marido ou esposa um relacionamento prazeroso em termos de amizade, afinidade e companheirismo, mas o sexo deixa a desejar (por inúmeros motivos, quer físicos, biológicos ou psicológicos), se poderia, simplesmente, buscar legitimamente o prazer sexual com outro homem ou mulher.
Para corroborar suas idéias, a autora referiu-se a um tipo de conduta, salvo lapso de memória, que socialmente era muitíssimo reprimida há algumas décadas atrás, e que hoje, essa mesma sociedade vê com naturalidade, como a gravidez de uma mulher solteira.
Na minha ótica, entretanto, nossa sociedade atual, fracassada, parafraseando Lia Diskin, esquece-se, como a maioria dos mortais, de avaliarem minuciosamente as consequências de seus atos, movendo-se tão somente pelos desejos.
Tradicionalismo à parte, penso que perdi parte do script, pois não consigo ver com naturalidade uma criança ter seu desenvolvimento físico, psicológico, emocional e mental, acompanhado apenas por uma mulher ou apenas por um homem, a não ser, por óbvio, em caso de força maior. Também não vejo com isenção crianças repassarem lares em razão da leviandade ou inconstância ou imaturidade de adultos por elas responsáveis, ou que, pelo menos, deveriam ser por elas responsáveis.
Isso não significa, entretanto, que estou aqui a dizer que a instituição do casamento é uma condenação perpétua à vida em comum insatisfatória. Não, longe disso – sou pela vida em quaisquer circunstâncias -, porque, talvez assim, as conseqüências para o desenvolvimento das crianças seriam mais perniciosas em um ambiente com ausência de amor (em razão de todas as sabidas decorrências que a ausência de afeto acarreta em uma família). Cumpre dizer, também, que o ser humano às vezes tem uma habilidade para amar pelo avesso, na verdade, ama, mas não demonstra, ou porque não aprendeu ou por egoísmo mesmo.
Mas o que fazer se a relação conjugal é insatisfatória? Quero dizer, ficou insatisfatória, porque, afinal, quando se decide “ficar junto”, formalmente ou não, certamente tudo é muito satisfatório e ideal até então.
A resposta é “depende” porque, se o nível de insatisfação é tamanho, a ponto de se poder concluir que o amor deixou de existir, sim, é melhor decidir pela separação responsável, e, agora, com a maturidade que não se teve na união. Se a insatisfação é relativa a alguns aspectos do relacionamento, a conversa franca, o diálogo aberto, o valor que se dá ao que se viveu até o momento, ou mesmo a ajuda de um terapeuta, ajudará o casal a entender a dinâmica do seu relacionamento, invariavelmente, a meu sentir, influenciado por conteúdos inconscientes. É nesse ponto que penso diferente. Ora, que praticidade, não? Não me serve para o sexo, então “transo” com outro; não me serve para companheiro, então deixo meu marido em casa e vou ao cinema com outro; é infértil, faço sexo com outro mais viril e tenho meus filhos. E aceito placidamente que meu marido também faça o mesmo. Balbúrdia.
Não existem relacionamentos perfeitos, as pessoas mudam, isso é natural com a idade, com a maturidade, com as vivências sociais e profissionais, mas jamais poderia ser argumento para uma separação, principalmente quando o casal têm filhos, ou para um laissez faire laissez passer de relacionamento.
Precisamos aprender que há conseqüências para tudo, exatamente tudo o que se faz, e esse é o motivo de sermos, hoje, sim, uma sociedade fracassada, na verdade, ouso enxergar mais além, um mundo fracassado. A humanidade cresce desenfreada em termos de conhecimento, que nada adianta diante do que efetivamente se produz. Rosas caem em todo o mundo, diariamente, não só na Palestina (referência que faço à menina Rosa, de 5 anos, que foi fatalmente atingida durante o recente conflito na faixa de Gaza, e cuja foto divulgada pela internet mostrava seu inocente corpinho, desfalecido). Dá para acreditar que depois do holocausto, depois de Hiroshima, e de tantas outras tragédias sociais, ainda haveriam guerras em pleno século XXI? Não quero perder minha ingenuidade... Acho interessante quando a mídia diz, como que confortando o mundo, que não morreram civis, e como que dizendo que as centenas de vidas de militares tivessem que ter mesmo a morte como destino possível e aceitável. A paz nunca existiu e nunca vai existir, mas temos o dever de procurar mantê-la ao menos no microcosmo da família.
Peço licença para um “à parte”, mas em um giro que também evidencia a degradação ética que vivemos não só na instituição da família, e dizer aqui, expondo meu antigo e profundo sentimento de repulsa à morte de Sadam Husseim. Putz, novamente perdi parte do script... Apesar de não estar totalmente informada das condutas daquele ditador, mas pelo que vi na mídia eram das mais cruéis, percebo diferente algumas formas de punição. Tudo o que foi globalmente conquistado em termos de direitos humanos, não se aplicou a um ser humano. Barbárie legalmente redimida pela barbárie, com a esquisitice de imagens do enforcamento dele “vazarem” para a imprensa global, espoliativas da dignidade de qualquer ser humano, por mais vil ou cruel que tenha sido em vida. Em suma, ele foi brutalizado por causa das brutalidades que cometeu – antiga e primitiva lógica punitiva da lei do talião: “olho por olho, dente por dente”, segundo a qual o criminoso deve ser punido talmente, ou seja, punido com o mesmo dano que causou. Cogitou-se da pena de prisão perpétua ser tal qual? Evoluímos ou fracassamos? Somos quase Deuses!
Outrossim, divagando um pouquinho mais, apesar de serem quase irrefutáveis as conclusões do cientista japonês Massaro Emoto (in “Quem Somos Nós” - documentário), de que, sendo a água o princípio de toda a vida, se toda a humanidade tiver amor e gratidão pela água, haverá paz no mundo todo, no meu íntimo, aqui “dentrinho de mim”, como diz minha amiga Maria Fernanda, duvido muito disso. Não discordando das conclusões mostradas pelas fotos tiradas dos cristais da água, mas duvidando - duvidadora que sou -, de que toda a Humanidade teria a humanidade necessária para demonstrar tal amor e gratidão. Ora, ainda somos, enquanto seres humanos em evolução, incapazes de demonstrar amor e gratidão ao próximo, como esperar uma mobilização mundial pela água? Perdoem o meu pessimismo, mas talvez isso aconteça quando esse bem for absolutamente escasso...
A escritora Lia Diskin afirma que duas datas exemplificam o modelo fracassado de sociedade na qual vivemos: o “11 de setembro de 2001” – que dispensaria comentários, mas confesso que chorei, sozinha, vendo aquelas torres caindo ene vezes, pessoas pulando antes disso, sob diversos ângulos -, e 5 de fevereiro de 2007, quando cientistas do mundo todo apresentaram um relatório internacional afirmando que as mudanças climáticas do planeta, consubstanciadas no desequilíbrio do ecossistema, são decorrentes das atividades da espécie humana, e não se trata, portanto, de um rearranjo interno do planeta, como afirmavam alguns. Ela afirma, contundente: o modelo atual de sociedade é fracassado e de sofrimento, e não só para os humanos, mas para toda a natureza.
E a defesa dessa pensadora também cabe neste texto, para demonstrar minha contrariedade ao modelo de relacionamento do futuro, o qual rotulo, aqui, de “pacto nupcial do futuro”. Para ela, um dos primeiros passos para rever esse modelo de sociedade fracassada é a reflexão sobre o que é necessidade e o que é desejo, sendo “preciso entender que a necessidade é finita e mensurável, já o desejo é infinito”.
Esse “pacto nupcial do futuro” - estamos juntos, mas o que faltar eu busco fora -, representa para mim o golpe de misericórdia na instituição da família, e não há jurídico que possa prever as maléficas consequências para o convívio familiar e social. Sobrará para a psicologia familiar, social, e, inclusive, para a institucional, quando não, para a psiquiatria.
A sociedade agora globalizada, precisa mais do que nunca de indivíduos rijos - inteiros, capazes emocional e intelectualmente, autoconfiantes -, e é dever da família, e também da própria sociedade, pensar em tudo que possa garantir o desenvolvimento pessoal nesse sentido. Caminhamos a passos lentos, mas podemos considerar as creches, o aumento da licença-maternidade de 04 para 06 meses, algumas instituições e empresas já contarem com apoio de terapeutas em seu quadro, o ensino de filosofia já nas primeiras séries escolares, etc., como um alento de esperança.
Cheguei a pensar que temos liberdade demais, mas ainda refletindo, percebi que não se trata de excesso de liberdade – enquanto direito fundamental nunca será excesso -, falta mesmo é discernimento aos jovens e adultos cidadãos para se poder filtrar eticamente absolutamente tudo o que aparece estampado em programas televisivos, jornais, revistas, outdoors, discursos de docentes, políticos, e até mesmo de alguns pais, e por incrível que pareça, até nos rótulos de produtos de supermercados... As crianças que exercitarem desde tenra idade a reflexão ética – que gosto de chamar de discernimento, enquanto capacidade de distinguir entre o Bem e o Mal, para mim e para o próximo – serão os pais, os políticos, os educadores, ou a mídia de amanhã, ou seja, serão os indivíduos rijos de que nossa sociedade precisa, iniciando um ciclo certamente mais promissor.
Penso que o “pacto nupcial do futuro” não passaria por aquele filtro.
Não se está aqui a defender verdades absolutas. Embora esta visão não seja eminentemente religiosa, não se ignora que foi a religião que passou a defender a instituição da família, com todos os seus consectários – monogamia, sexo apenas para procriação, dever de obediência aos pais, etc -, para que as pessoas pudessem conviver em paz e harmonia. Mas também existem outras culturas e religiões que pregam a poligamia, o suicídio em prol de causas políticas ou religiosas, e para esses códigos, paz e harmonia também existem, ainda que seja às custas da liberdade de mulheres e da total falta de liberdade individual, em termos de discernimento.
Por derradeiro, impende se afirmar, infelizmente, que, ainda que se tenha um mínimo de discernimento, nossa sociedade se estruturou de tal forma que dificilmente conseguimos passar, como eu ao redigir este texto, da indignação, do sentir-me escandalizada com o que vejo, ouço, leio e com o que, às vezes, mesmo contrariada, tenho que viver. Conforta-me um tantinho ver o esforço de muitas famílias para, ao menos nesse microcosmo, formarem filhos dignos e rijos.
Basicamente, ela afirma que as pessoas têm diversos tipos de necessidades físicas e emocionais, as quais são transportadas para os relacionamentos, de forma que, se o relacionamento atual é perfeito no sentido de preencher completamente uma necessidade específica, como o sexo, por exemplo, mas deficiente no aspecto do companheirismo, seria lícito e moral, portanto, ético, ao consorte carente dessa necessidade, buscar satisfazê-la junto à outra pessoa. E assim sucessivamente: se tenho com meu marido ou esposa um relacionamento prazeroso em termos de amizade, afinidade e companheirismo, mas o sexo deixa a desejar (por inúmeros motivos, quer físicos, biológicos ou psicológicos), se poderia, simplesmente, buscar legitimamente o prazer sexual com outro homem ou mulher.
Para corroborar suas idéias, a autora referiu-se a um tipo de conduta, salvo lapso de memória, que socialmente era muitíssimo reprimida há algumas décadas atrás, e que hoje, essa mesma sociedade vê com naturalidade, como a gravidez de uma mulher solteira.
Na minha ótica, entretanto, nossa sociedade atual, fracassada, parafraseando Lia Diskin, esquece-se, como a maioria dos mortais, de avaliarem minuciosamente as consequências de seus atos, movendo-se tão somente pelos desejos.
Tradicionalismo à parte, penso que perdi parte do script, pois não consigo ver com naturalidade uma criança ter seu desenvolvimento físico, psicológico, emocional e mental, acompanhado apenas por uma mulher ou apenas por um homem, a não ser, por óbvio, em caso de força maior. Também não vejo com isenção crianças repassarem lares em razão da leviandade ou inconstância ou imaturidade de adultos por elas responsáveis, ou que, pelo menos, deveriam ser por elas responsáveis.
Isso não significa, entretanto, que estou aqui a dizer que a instituição do casamento é uma condenação perpétua à vida em comum insatisfatória. Não, longe disso – sou pela vida em quaisquer circunstâncias -, porque, talvez assim, as conseqüências para o desenvolvimento das crianças seriam mais perniciosas em um ambiente com ausência de amor (em razão de todas as sabidas decorrências que a ausência de afeto acarreta em uma família). Cumpre dizer, também, que o ser humano às vezes tem uma habilidade para amar pelo avesso, na verdade, ama, mas não demonstra, ou porque não aprendeu ou por egoísmo mesmo.
Mas o que fazer se a relação conjugal é insatisfatória? Quero dizer, ficou insatisfatória, porque, afinal, quando se decide “ficar junto”, formalmente ou não, certamente tudo é muito satisfatório e ideal até então.
A resposta é “depende” porque, se o nível de insatisfação é tamanho, a ponto de se poder concluir que o amor deixou de existir, sim, é melhor decidir pela separação responsável, e, agora, com a maturidade que não se teve na união. Se a insatisfação é relativa a alguns aspectos do relacionamento, a conversa franca, o diálogo aberto, o valor que se dá ao que se viveu até o momento, ou mesmo a ajuda de um terapeuta, ajudará o casal a entender a dinâmica do seu relacionamento, invariavelmente, a meu sentir, influenciado por conteúdos inconscientes. É nesse ponto que penso diferente. Ora, que praticidade, não? Não me serve para o sexo, então “transo” com outro; não me serve para companheiro, então deixo meu marido em casa e vou ao cinema com outro; é infértil, faço sexo com outro mais viril e tenho meus filhos. E aceito placidamente que meu marido também faça o mesmo. Balbúrdia.
Não existem relacionamentos perfeitos, as pessoas mudam, isso é natural com a idade, com a maturidade, com as vivências sociais e profissionais, mas jamais poderia ser argumento para uma separação, principalmente quando o casal têm filhos, ou para um laissez faire laissez passer de relacionamento.
Precisamos aprender que há conseqüências para tudo, exatamente tudo o que se faz, e esse é o motivo de sermos, hoje, sim, uma sociedade fracassada, na verdade, ouso enxergar mais além, um mundo fracassado. A humanidade cresce desenfreada em termos de conhecimento, que nada adianta diante do que efetivamente se produz. Rosas caem em todo o mundo, diariamente, não só na Palestina (referência que faço à menina Rosa, de 5 anos, que foi fatalmente atingida durante o recente conflito na faixa de Gaza, e cuja foto divulgada pela internet mostrava seu inocente corpinho, desfalecido). Dá para acreditar que depois do holocausto, depois de Hiroshima, e de tantas outras tragédias sociais, ainda haveriam guerras em pleno século XXI? Não quero perder minha ingenuidade... Acho interessante quando a mídia diz, como que confortando o mundo, que não morreram civis, e como que dizendo que as centenas de vidas de militares tivessem que ter mesmo a morte como destino possível e aceitável. A paz nunca existiu e nunca vai existir, mas temos o dever de procurar mantê-la ao menos no microcosmo da família.
Peço licença para um “à parte”, mas em um giro que também evidencia a degradação ética que vivemos não só na instituição da família, e dizer aqui, expondo meu antigo e profundo sentimento de repulsa à morte de Sadam Husseim. Putz, novamente perdi parte do script... Apesar de não estar totalmente informada das condutas daquele ditador, mas pelo que vi na mídia eram das mais cruéis, percebo diferente algumas formas de punição. Tudo o que foi globalmente conquistado em termos de direitos humanos, não se aplicou a um ser humano. Barbárie legalmente redimida pela barbárie, com a esquisitice de imagens do enforcamento dele “vazarem” para a imprensa global, espoliativas da dignidade de qualquer ser humano, por mais vil ou cruel que tenha sido em vida. Em suma, ele foi brutalizado por causa das brutalidades que cometeu – antiga e primitiva lógica punitiva da lei do talião: “olho por olho, dente por dente”, segundo a qual o criminoso deve ser punido talmente, ou seja, punido com o mesmo dano que causou. Cogitou-se da pena de prisão perpétua ser tal qual? Evoluímos ou fracassamos? Somos quase Deuses!
Outrossim, divagando um pouquinho mais, apesar de serem quase irrefutáveis as conclusões do cientista japonês Massaro Emoto (in “Quem Somos Nós” - documentário), de que, sendo a água o princípio de toda a vida, se toda a humanidade tiver amor e gratidão pela água, haverá paz no mundo todo, no meu íntimo, aqui “dentrinho de mim”, como diz minha amiga Maria Fernanda, duvido muito disso. Não discordando das conclusões mostradas pelas fotos tiradas dos cristais da água, mas duvidando - duvidadora que sou -, de que toda a Humanidade teria a humanidade necessária para demonstrar tal amor e gratidão. Ora, ainda somos, enquanto seres humanos em evolução, incapazes de demonstrar amor e gratidão ao próximo, como esperar uma mobilização mundial pela água? Perdoem o meu pessimismo, mas talvez isso aconteça quando esse bem for absolutamente escasso...
A escritora Lia Diskin afirma que duas datas exemplificam o modelo fracassado de sociedade na qual vivemos: o “11 de setembro de 2001” – que dispensaria comentários, mas confesso que chorei, sozinha, vendo aquelas torres caindo ene vezes, pessoas pulando antes disso, sob diversos ângulos -, e 5 de fevereiro de 2007, quando cientistas do mundo todo apresentaram um relatório internacional afirmando que as mudanças climáticas do planeta, consubstanciadas no desequilíbrio do ecossistema, são decorrentes das atividades da espécie humana, e não se trata, portanto, de um rearranjo interno do planeta, como afirmavam alguns. Ela afirma, contundente: o modelo atual de sociedade é fracassado e de sofrimento, e não só para os humanos, mas para toda a natureza.
E a defesa dessa pensadora também cabe neste texto, para demonstrar minha contrariedade ao modelo de relacionamento do futuro, o qual rotulo, aqui, de “pacto nupcial do futuro”. Para ela, um dos primeiros passos para rever esse modelo de sociedade fracassada é a reflexão sobre o que é necessidade e o que é desejo, sendo “preciso entender que a necessidade é finita e mensurável, já o desejo é infinito”.
Esse “pacto nupcial do futuro” - estamos juntos, mas o que faltar eu busco fora -, representa para mim o golpe de misericórdia na instituição da família, e não há jurídico que possa prever as maléficas consequências para o convívio familiar e social. Sobrará para a psicologia familiar, social, e, inclusive, para a institucional, quando não, para a psiquiatria.
A sociedade agora globalizada, precisa mais do que nunca de indivíduos rijos - inteiros, capazes emocional e intelectualmente, autoconfiantes -, e é dever da família, e também da própria sociedade, pensar em tudo que possa garantir o desenvolvimento pessoal nesse sentido. Caminhamos a passos lentos, mas podemos considerar as creches, o aumento da licença-maternidade de 04 para 06 meses, algumas instituições e empresas já contarem com apoio de terapeutas em seu quadro, o ensino de filosofia já nas primeiras séries escolares, etc., como um alento de esperança.
Cheguei a pensar que temos liberdade demais, mas ainda refletindo, percebi que não se trata de excesso de liberdade – enquanto direito fundamental nunca será excesso -, falta mesmo é discernimento aos jovens e adultos cidadãos para se poder filtrar eticamente absolutamente tudo o que aparece estampado em programas televisivos, jornais, revistas, outdoors, discursos de docentes, políticos, e até mesmo de alguns pais, e por incrível que pareça, até nos rótulos de produtos de supermercados... As crianças que exercitarem desde tenra idade a reflexão ética – que gosto de chamar de discernimento, enquanto capacidade de distinguir entre o Bem e o Mal, para mim e para o próximo – serão os pais, os políticos, os educadores, ou a mídia de amanhã, ou seja, serão os indivíduos rijos de que nossa sociedade precisa, iniciando um ciclo certamente mais promissor.
Penso que o “pacto nupcial do futuro” não passaria por aquele filtro.
Não se está aqui a defender verdades absolutas. Embora esta visão não seja eminentemente religiosa, não se ignora que foi a religião que passou a defender a instituição da família, com todos os seus consectários – monogamia, sexo apenas para procriação, dever de obediência aos pais, etc -, para que as pessoas pudessem conviver em paz e harmonia. Mas também existem outras culturas e religiões que pregam a poligamia, o suicídio em prol de causas políticas ou religiosas, e para esses códigos, paz e harmonia também existem, ainda que seja às custas da liberdade de mulheres e da total falta de liberdade individual, em termos de discernimento.
Por derradeiro, impende se afirmar, infelizmente, que, ainda que se tenha um mínimo de discernimento, nossa sociedade se estruturou de tal forma que dificilmente conseguimos passar, como eu ao redigir este texto, da indignação, do sentir-me escandalizada com o que vejo, ouço, leio e com o que, às vezes, mesmo contrariada, tenho que viver. Conforta-me um tantinho ver o esforço de muitas famílias para, ao menos nesse microcosmo, formarem filhos dignos e rijos.
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