Às vezes escrevo porque quero gritar
Às vezes quero gritar de alegria
Às vezes quero gritar de raiva
Às vezes quero gritar de indignação
Às vezes quero gritar de dor
Às vezes quero gritar por amor
Paradoxal grito em silêncio
Na pseudo-surdez das palavras não ditas
Enquanto palavras escritas e nesse prisma, mudas
Posso considerar minhas palavras escritas
Palavras pseudo-surdas-mudas
Expressam-se
Mas não ouvem, tampouco gritam sonoramente
Ouçam meu grito de alegria! Ouviram?
Uma criança sorriu
Ouçam meu grito de raiva! Ouviram?
Fui aviltada
Ouçam meu grito de indignação! Ouviram?
Presenciei outro alguém ser aviltado
Ouçam meu grito de dor! Ouviram?
Diante da incompreensão e do desamor
Ouçam meu grito de amor! Ouviram?
Diante da Vida e da Criação
Minha expressão!
sexta-feira, 29 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Regra Geral
Os homens são quem correspondem ao sexo frágil
As mulheres sempre têm sexo quando querem, invariavelmente
Os homens não têm sexo sempre quando querem
Por vezes mesmo se utilizando de técnicas de sedução
As mulheres são do sexo forte porque sucumbem apenas ao amor
E os homens, não
Mas isto, como toda regra geral, e justa, comporta exceção
As mulheres sempre têm sexo quando querem, invariavelmente
Os homens não têm sexo sempre quando querem
Por vezes mesmo se utilizando de técnicas de sedução
As mulheres são do sexo forte porque sucumbem apenas ao amor
E os homens, não
Mas isto, como toda regra geral, e justa, comporta exceção
terça-feira, 26 de maio de 2009
Pacto Nupcial do Futuro
Li um texto já há algum tempo sobre os tipos de relacionamento que a subscritora, cujo nome não me recordo, acredita configurarem-se em um futuro próximo. Lembro-me apenas de que se tratava de uma psicanalista e que o texto também divulgava um livro da autoria dela, salvo engano, em parceria com o marido. Como é recente a redação de textos para este blog, quando li o artigo não me preocupei em guardar o nome da autora, a fim de utilizá-lo em citações futuras, como essa, para não correr o risco de estar plagiando a idéia de alguém. Mas aqui, pelo contrário, não é possível plagiá-la porque sou contrária à assertiva dela. Não sou crítica, de profissão, nem almejo a comodidade cínica de apenas rechaçar argumentos de outrem, mas quero aqui dar o meu pitaco, ora, sobre um assunto que me interessa.
Basicamente, ela afirma que as pessoas têm diversos tipos de necessidades físicas e emocionais, as quais são transportadas para os relacionamentos, de forma que, se o relacionamento atual é perfeito no sentido de preencher completamente uma necessidade específica, como o sexo, por exemplo, mas deficiente no aspecto do companheirismo, seria lícito e moral, portanto, ético, ao consorte carente dessa necessidade, buscar satisfazê-la junto à outra pessoa. E assim sucessivamente: se tenho com meu marido ou esposa um relacionamento prazeroso em termos de amizade, afinidade e companheirismo, mas o sexo deixa a desejar (por inúmeros motivos, quer físicos, biológicos ou psicológicos), se poderia, simplesmente, buscar legitimamente o prazer sexual com outro homem ou mulher.
Para corroborar suas idéias, a autora referiu-se a um tipo de conduta, salvo lapso de memória, que socialmente era muitíssimo reprimida há algumas décadas atrás, e que hoje, essa mesma sociedade vê com naturalidade, como a gravidez de uma mulher solteira.
Na minha ótica, entretanto, nossa sociedade atual, fracassada, parafraseando Lia Diskin, esquece-se, como a maioria dos mortais, de avaliarem minuciosamente as consequências de seus atos, movendo-se tão somente pelos desejos.
Tradicionalismo à parte, penso que perdi parte do script, pois não consigo ver com naturalidade uma criança ter seu desenvolvimento físico, psicológico, emocional e mental, acompanhado apenas por uma mulher ou apenas por um homem, a não ser, por óbvio, em caso de força maior. Também não vejo com isenção crianças repassarem lares em razão da leviandade ou inconstância ou imaturidade de adultos por elas responsáveis, ou que, pelo menos, deveriam ser por elas responsáveis.
Isso não significa, entretanto, que estou aqui a dizer que a instituição do casamento é uma condenação perpétua à vida em comum insatisfatória. Não, longe disso – sou pela vida em quaisquer circunstâncias -, porque, talvez assim, as conseqüências para o desenvolvimento das crianças seriam mais perniciosas em um ambiente com ausência de amor (em razão de todas as sabidas decorrências que a ausência de afeto acarreta em uma família). Cumpre dizer, também, que o ser humano às vezes tem uma habilidade para amar pelo avesso, na verdade, ama, mas não demonstra, ou porque não aprendeu ou por egoísmo mesmo.
Mas o que fazer se a relação conjugal é insatisfatória? Quero dizer, ficou insatisfatória, porque, afinal, quando se decide “ficar junto”, formalmente ou não, certamente tudo é muito satisfatório e ideal até então.
A resposta é “depende” porque, se o nível de insatisfação é tamanho, a ponto de se poder concluir que o amor deixou de existir, sim, é melhor decidir pela separação responsável, e, agora, com a maturidade que não se teve na união. Se a insatisfação é relativa a alguns aspectos do relacionamento, a conversa franca, o diálogo aberto, o valor que se dá ao que se viveu até o momento, ou mesmo a ajuda de um terapeuta, ajudará o casal a entender a dinâmica do seu relacionamento, invariavelmente, a meu sentir, influenciado por conteúdos inconscientes. É nesse ponto que penso diferente. Ora, que praticidade, não? Não me serve para o sexo, então “transo” com outro; não me serve para companheiro, então deixo meu marido em casa e vou ao cinema com outro; é infértil, faço sexo com outro mais viril e tenho meus filhos. E aceito placidamente que meu marido também faça o mesmo. Balbúrdia.
Não existem relacionamentos perfeitos, as pessoas mudam, isso é natural com a idade, com a maturidade, com as vivências sociais e profissionais, mas jamais poderia ser argumento para uma separação, principalmente quando o casal têm filhos, ou para um laissez faire laissez passer de relacionamento.
Precisamos aprender que há conseqüências para tudo, exatamente tudo o que se faz, e esse é o motivo de sermos, hoje, sim, uma sociedade fracassada, na verdade, ouso enxergar mais além, um mundo fracassado. A humanidade cresce desenfreada em termos de conhecimento, que nada adianta diante do que efetivamente se produz. Rosas caem em todo o mundo, diariamente, não só na Palestina (referência que faço à menina Rosa, de 5 anos, que foi fatalmente atingida durante o recente conflito na faixa de Gaza, e cuja foto divulgada pela internet mostrava seu inocente corpinho, desfalecido). Dá para acreditar que depois do holocausto, depois de Hiroshima, e de tantas outras tragédias sociais, ainda haveriam guerras em pleno século XXI? Não quero perder minha ingenuidade... Acho interessante quando a mídia diz, como que confortando o mundo, que não morreram civis, e como que dizendo que as centenas de vidas de militares tivessem que ter mesmo a morte como destino possível e aceitável. A paz nunca existiu e nunca vai existir, mas temos o dever de procurar mantê-la ao menos no microcosmo da família.
Peço licença para um “à parte”, mas em um giro que também evidencia a degradação ética que vivemos não só na instituição da família, e dizer aqui, expondo meu antigo e profundo sentimento de repulsa à morte de Sadam Husseim. Putz, novamente perdi parte do script... Apesar de não estar totalmente informada das condutas daquele ditador, mas pelo que vi na mídia eram das mais cruéis, percebo diferente algumas formas de punição. Tudo o que foi globalmente conquistado em termos de direitos humanos, não se aplicou a um ser humano. Barbárie legalmente redimida pela barbárie, com a esquisitice de imagens do enforcamento dele “vazarem” para a imprensa global, espoliativas da dignidade de qualquer ser humano, por mais vil ou cruel que tenha sido em vida. Em suma, ele foi brutalizado por causa das brutalidades que cometeu – antiga e primitiva lógica punitiva da lei do talião: “olho por olho, dente por dente”, segundo a qual o criminoso deve ser punido talmente, ou seja, punido com o mesmo dano que causou. Cogitou-se da pena de prisão perpétua ser tal qual? Evoluímos ou fracassamos? Somos quase Deuses!
Outrossim, divagando um pouquinho mais, apesar de serem quase irrefutáveis as conclusões do cientista japonês Massaro Emoto (in “Quem Somos Nós” - documentário), de que, sendo a água o princípio de toda a vida, se toda a humanidade tiver amor e gratidão pela água, haverá paz no mundo todo, no meu íntimo, aqui “dentrinho de mim”, como diz minha amiga Maria Fernanda, duvido muito disso. Não discordando das conclusões mostradas pelas fotos tiradas dos cristais da água, mas duvidando - duvidadora que sou -, de que toda a Humanidade teria a humanidade necessária para demonstrar tal amor e gratidão. Ora, ainda somos, enquanto seres humanos em evolução, incapazes de demonstrar amor e gratidão ao próximo, como esperar uma mobilização mundial pela água? Perdoem o meu pessimismo, mas talvez isso aconteça quando esse bem for absolutamente escasso...
A escritora Lia Diskin afirma que duas datas exemplificam o modelo fracassado de sociedade na qual vivemos: o “11 de setembro de 2001” – que dispensaria comentários, mas confesso que chorei, sozinha, vendo aquelas torres caindo ene vezes, pessoas pulando antes disso, sob diversos ângulos -, e 5 de fevereiro de 2007, quando cientistas do mundo todo apresentaram um relatório internacional afirmando que as mudanças climáticas do planeta, consubstanciadas no desequilíbrio do ecossistema, são decorrentes das atividades da espécie humana, e não se trata, portanto, de um rearranjo interno do planeta, como afirmavam alguns. Ela afirma, contundente: o modelo atual de sociedade é fracassado e de sofrimento, e não só para os humanos, mas para toda a natureza.
E a defesa dessa pensadora também cabe neste texto, para demonstrar minha contrariedade ao modelo de relacionamento do futuro, o qual rotulo, aqui, de “pacto nupcial do futuro”. Para ela, um dos primeiros passos para rever esse modelo de sociedade fracassada é a reflexão sobre o que é necessidade e o que é desejo, sendo “preciso entender que a necessidade é finita e mensurável, já o desejo é infinito”.
Esse “pacto nupcial do futuro” - estamos juntos, mas o que faltar eu busco fora -, representa para mim o golpe de misericórdia na instituição da família, e não há jurídico que possa prever as maléficas consequências para o convívio familiar e social. Sobrará para a psicologia familiar, social, e, inclusive, para a institucional, quando não, para a psiquiatria.
A sociedade agora globalizada, precisa mais do que nunca de indivíduos rijos - inteiros, capazes emocional e intelectualmente, autoconfiantes -, e é dever da família, e também da própria sociedade, pensar em tudo que possa garantir o desenvolvimento pessoal nesse sentido. Caminhamos a passos lentos, mas podemos considerar as creches, o aumento da licença-maternidade de 04 para 06 meses, algumas instituições e empresas já contarem com apoio de terapeutas em seu quadro, o ensino de filosofia já nas primeiras séries escolares, etc., como um alento de esperança.
Cheguei a pensar que temos liberdade demais, mas ainda refletindo, percebi que não se trata de excesso de liberdade – enquanto direito fundamental nunca será excesso -, falta mesmo é discernimento aos jovens e adultos cidadãos para se poder filtrar eticamente absolutamente tudo o que aparece estampado em programas televisivos, jornais, revistas, outdoors, discursos de docentes, políticos, e até mesmo de alguns pais, e por incrível que pareça, até nos rótulos de produtos de supermercados... As crianças que exercitarem desde tenra idade a reflexão ética – que gosto de chamar de discernimento, enquanto capacidade de distinguir entre o Bem e o Mal, para mim e para o próximo – serão os pais, os políticos, os educadores, ou a mídia de amanhã, ou seja, serão os indivíduos rijos de que nossa sociedade precisa, iniciando um ciclo certamente mais promissor.
Penso que o “pacto nupcial do futuro” não passaria por aquele filtro.
Não se está aqui a defender verdades absolutas. Embora esta visão não seja eminentemente religiosa, não se ignora que foi a religião que passou a defender a instituição da família, com todos os seus consectários – monogamia, sexo apenas para procriação, dever de obediência aos pais, etc -, para que as pessoas pudessem conviver em paz e harmonia. Mas também existem outras culturas e religiões que pregam a poligamia, o suicídio em prol de causas políticas ou religiosas, e para esses códigos, paz e harmonia também existem, ainda que seja às custas da liberdade de mulheres e da total falta de liberdade individual, em termos de discernimento.
Por derradeiro, impende se afirmar, infelizmente, que, ainda que se tenha um mínimo de discernimento, nossa sociedade se estruturou de tal forma que dificilmente conseguimos passar, como eu ao redigir este texto, da indignação, do sentir-me escandalizada com o que vejo, ouço, leio e com o que, às vezes, mesmo contrariada, tenho que viver. Conforta-me um tantinho ver o esforço de muitas famílias para, ao menos nesse microcosmo, formarem filhos dignos e rijos.
Basicamente, ela afirma que as pessoas têm diversos tipos de necessidades físicas e emocionais, as quais são transportadas para os relacionamentos, de forma que, se o relacionamento atual é perfeito no sentido de preencher completamente uma necessidade específica, como o sexo, por exemplo, mas deficiente no aspecto do companheirismo, seria lícito e moral, portanto, ético, ao consorte carente dessa necessidade, buscar satisfazê-la junto à outra pessoa. E assim sucessivamente: se tenho com meu marido ou esposa um relacionamento prazeroso em termos de amizade, afinidade e companheirismo, mas o sexo deixa a desejar (por inúmeros motivos, quer físicos, biológicos ou psicológicos), se poderia, simplesmente, buscar legitimamente o prazer sexual com outro homem ou mulher.
Para corroborar suas idéias, a autora referiu-se a um tipo de conduta, salvo lapso de memória, que socialmente era muitíssimo reprimida há algumas décadas atrás, e que hoje, essa mesma sociedade vê com naturalidade, como a gravidez de uma mulher solteira.
Na minha ótica, entretanto, nossa sociedade atual, fracassada, parafraseando Lia Diskin, esquece-se, como a maioria dos mortais, de avaliarem minuciosamente as consequências de seus atos, movendo-se tão somente pelos desejos.
Tradicionalismo à parte, penso que perdi parte do script, pois não consigo ver com naturalidade uma criança ter seu desenvolvimento físico, psicológico, emocional e mental, acompanhado apenas por uma mulher ou apenas por um homem, a não ser, por óbvio, em caso de força maior. Também não vejo com isenção crianças repassarem lares em razão da leviandade ou inconstância ou imaturidade de adultos por elas responsáveis, ou que, pelo menos, deveriam ser por elas responsáveis.
Isso não significa, entretanto, que estou aqui a dizer que a instituição do casamento é uma condenação perpétua à vida em comum insatisfatória. Não, longe disso – sou pela vida em quaisquer circunstâncias -, porque, talvez assim, as conseqüências para o desenvolvimento das crianças seriam mais perniciosas em um ambiente com ausência de amor (em razão de todas as sabidas decorrências que a ausência de afeto acarreta em uma família). Cumpre dizer, também, que o ser humano às vezes tem uma habilidade para amar pelo avesso, na verdade, ama, mas não demonstra, ou porque não aprendeu ou por egoísmo mesmo.
Mas o que fazer se a relação conjugal é insatisfatória? Quero dizer, ficou insatisfatória, porque, afinal, quando se decide “ficar junto”, formalmente ou não, certamente tudo é muito satisfatório e ideal até então.
A resposta é “depende” porque, se o nível de insatisfação é tamanho, a ponto de se poder concluir que o amor deixou de existir, sim, é melhor decidir pela separação responsável, e, agora, com a maturidade que não se teve na união. Se a insatisfação é relativa a alguns aspectos do relacionamento, a conversa franca, o diálogo aberto, o valor que se dá ao que se viveu até o momento, ou mesmo a ajuda de um terapeuta, ajudará o casal a entender a dinâmica do seu relacionamento, invariavelmente, a meu sentir, influenciado por conteúdos inconscientes. É nesse ponto que penso diferente. Ora, que praticidade, não? Não me serve para o sexo, então “transo” com outro; não me serve para companheiro, então deixo meu marido em casa e vou ao cinema com outro; é infértil, faço sexo com outro mais viril e tenho meus filhos. E aceito placidamente que meu marido também faça o mesmo. Balbúrdia.
Não existem relacionamentos perfeitos, as pessoas mudam, isso é natural com a idade, com a maturidade, com as vivências sociais e profissionais, mas jamais poderia ser argumento para uma separação, principalmente quando o casal têm filhos, ou para um laissez faire laissez passer de relacionamento.
Precisamos aprender que há conseqüências para tudo, exatamente tudo o que se faz, e esse é o motivo de sermos, hoje, sim, uma sociedade fracassada, na verdade, ouso enxergar mais além, um mundo fracassado. A humanidade cresce desenfreada em termos de conhecimento, que nada adianta diante do que efetivamente se produz. Rosas caem em todo o mundo, diariamente, não só na Palestina (referência que faço à menina Rosa, de 5 anos, que foi fatalmente atingida durante o recente conflito na faixa de Gaza, e cuja foto divulgada pela internet mostrava seu inocente corpinho, desfalecido). Dá para acreditar que depois do holocausto, depois de Hiroshima, e de tantas outras tragédias sociais, ainda haveriam guerras em pleno século XXI? Não quero perder minha ingenuidade... Acho interessante quando a mídia diz, como que confortando o mundo, que não morreram civis, e como que dizendo que as centenas de vidas de militares tivessem que ter mesmo a morte como destino possível e aceitável. A paz nunca existiu e nunca vai existir, mas temos o dever de procurar mantê-la ao menos no microcosmo da família.
Peço licença para um “à parte”, mas em um giro que também evidencia a degradação ética que vivemos não só na instituição da família, e dizer aqui, expondo meu antigo e profundo sentimento de repulsa à morte de Sadam Husseim. Putz, novamente perdi parte do script... Apesar de não estar totalmente informada das condutas daquele ditador, mas pelo que vi na mídia eram das mais cruéis, percebo diferente algumas formas de punição. Tudo o que foi globalmente conquistado em termos de direitos humanos, não se aplicou a um ser humano. Barbárie legalmente redimida pela barbárie, com a esquisitice de imagens do enforcamento dele “vazarem” para a imprensa global, espoliativas da dignidade de qualquer ser humano, por mais vil ou cruel que tenha sido em vida. Em suma, ele foi brutalizado por causa das brutalidades que cometeu – antiga e primitiva lógica punitiva da lei do talião: “olho por olho, dente por dente”, segundo a qual o criminoso deve ser punido talmente, ou seja, punido com o mesmo dano que causou. Cogitou-se da pena de prisão perpétua ser tal qual? Evoluímos ou fracassamos? Somos quase Deuses!
Outrossim, divagando um pouquinho mais, apesar de serem quase irrefutáveis as conclusões do cientista japonês Massaro Emoto (in “Quem Somos Nós” - documentário), de que, sendo a água o princípio de toda a vida, se toda a humanidade tiver amor e gratidão pela água, haverá paz no mundo todo, no meu íntimo, aqui “dentrinho de mim”, como diz minha amiga Maria Fernanda, duvido muito disso. Não discordando das conclusões mostradas pelas fotos tiradas dos cristais da água, mas duvidando - duvidadora que sou -, de que toda a Humanidade teria a humanidade necessária para demonstrar tal amor e gratidão. Ora, ainda somos, enquanto seres humanos em evolução, incapazes de demonstrar amor e gratidão ao próximo, como esperar uma mobilização mundial pela água? Perdoem o meu pessimismo, mas talvez isso aconteça quando esse bem for absolutamente escasso...
A escritora Lia Diskin afirma que duas datas exemplificam o modelo fracassado de sociedade na qual vivemos: o “11 de setembro de 2001” – que dispensaria comentários, mas confesso que chorei, sozinha, vendo aquelas torres caindo ene vezes, pessoas pulando antes disso, sob diversos ângulos -, e 5 de fevereiro de 2007, quando cientistas do mundo todo apresentaram um relatório internacional afirmando que as mudanças climáticas do planeta, consubstanciadas no desequilíbrio do ecossistema, são decorrentes das atividades da espécie humana, e não se trata, portanto, de um rearranjo interno do planeta, como afirmavam alguns. Ela afirma, contundente: o modelo atual de sociedade é fracassado e de sofrimento, e não só para os humanos, mas para toda a natureza.
E a defesa dessa pensadora também cabe neste texto, para demonstrar minha contrariedade ao modelo de relacionamento do futuro, o qual rotulo, aqui, de “pacto nupcial do futuro”. Para ela, um dos primeiros passos para rever esse modelo de sociedade fracassada é a reflexão sobre o que é necessidade e o que é desejo, sendo “preciso entender que a necessidade é finita e mensurável, já o desejo é infinito”.
Esse “pacto nupcial do futuro” - estamos juntos, mas o que faltar eu busco fora -, representa para mim o golpe de misericórdia na instituição da família, e não há jurídico que possa prever as maléficas consequências para o convívio familiar e social. Sobrará para a psicologia familiar, social, e, inclusive, para a institucional, quando não, para a psiquiatria.
A sociedade agora globalizada, precisa mais do que nunca de indivíduos rijos - inteiros, capazes emocional e intelectualmente, autoconfiantes -, e é dever da família, e também da própria sociedade, pensar em tudo que possa garantir o desenvolvimento pessoal nesse sentido. Caminhamos a passos lentos, mas podemos considerar as creches, o aumento da licença-maternidade de 04 para 06 meses, algumas instituições e empresas já contarem com apoio de terapeutas em seu quadro, o ensino de filosofia já nas primeiras séries escolares, etc., como um alento de esperança.
Cheguei a pensar que temos liberdade demais, mas ainda refletindo, percebi que não se trata de excesso de liberdade – enquanto direito fundamental nunca será excesso -, falta mesmo é discernimento aos jovens e adultos cidadãos para se poder filtrar eticamente absolutamente tudo o que aparece estampado em programas televisivos, jornais, revistas, outdoors, discursos de docentes, políticos, e até mesmo de alguns pais, e por incrível que pareça, até nos rótulos de produtos de supermercados... As crianças que exercitarem desde tenra idade a reflexão ética – que gosto de chamar de discernimento, enquanto capacidade de distinguir entre o Bem e o Mal, para mim e para o próximo – serão os pais, os políticos, os educadores, ou a mídia de amanhã, ou seja, serão os indivíduos rijos de que nossa sociedade precisa, iniciando um ciclo certamente mais promissor.
Penso que o “pacto nupcial do futuro” não passaria por aquele filtro.
Não se está aqui a defender verdades absolutas. Embora esta visão não seja eminentemente religiosa, não se ignora que foi a religião que passou a defender a instituição da família, com todos os seus consectários – monogamia, sexo apenas para procriação, dever de obediência aos pais, etc -, para que as pessoas pudessem conviver em paz e harmonia. Mas também existem outras culturas e religiões que pregam a poligamia, o suicídio em prol de causas políticas ou religiosas, e para esses códigos, paz e harmonia também existem, ainda que seja às custas da liberdade de mulheres e da total falta de liberdade individual, em termos de discernimento.
Por derradeiro, impende se afirmar, infelizmente, que, ainda que se tenha um mínimo de discernimento, nossa sociedade se estruturou de tal forma que dificilmente conseguimos passar, como eu ao redigir este texto, da indignação, do sentir-me escandalizada com o que vejo, ouço, leio e com o que, às vezes, mesmo contrariada, tenho que viver. Conforta-me um tantinho ver o esforço de muitas famílias para, ao menos nesse microcosmo, formarem filhos dignos e rijos.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
No sinal vermelho
Trânsito é sempre trânsito, mesmo em cidades que não se caracterizam como grandes centros. Motoristas de toda sorte: jovens, adultos ou idosos; homens ou mulheres; atrasados e impacientes ou não; nervosos ou tranquilos; generosos ou egoístas. Para essa platéia variante, deslocada dos assentos das casas de shows para os respectivos assentos de seus automóveis, e portanto imprevisível, esses artistas se apresentam sob sol ou chuva, estampando semblantes de alegria e de compromisso, não com o sistema, mas com a vida que elegeram para si, proporcionando instantes sui generis aos que tiveram a sorte ou o azar de terem posicionado seus veículos nas primeiras fileiras que proporcionam melhor visibilidade.
Digo “inexplicavelmente felizes” porque eles estão na contramão do que social e estupidamente se estabelece como sinônimo de felicidade: o sucesso. Recebem pela apresentação nada mais do que seu público quer e pode dar, e não os R$ 680,00 por pessoa na categoria tapis rouge, cobrados pelo mega e internacional Cirque du Soleil. Não desmerecendo de forma alguma o trabalho de todos os integrantes dessa trupe-empresa. O trabalho deles é extraordinário, de dom também quase inexplicável, desde a técnica até a logística. Só questiono o porquê de algumas pessoas pagarem os R$ 680,00, satisfeitíssimas, e não o R$ 1,00 certamente muito bem vindo aos artistas dos semáforos, valores esses proporcionais à logística de cada qual.
Os artistas do semáforo escolheram seu trabalho. Sim, escolheram, porque, obviamente, a sociedade e o sistema que a rege (significando sistema econômico-financeiro e mercado de trabalho, com todas as regras que os caracterizam e determinam) lhes oferecem outras opções, como cursar uma faculdade, ou prestar concursos públicos se tiverem a escolaridade exigida, ou talvez enfrentar a concorrência na atividade privada. Não consigo deixar de ironizar, mas talvez, ainda, mendigar um quintal para carpir ou tão somente mendigar, ou, ainda, naquele tempo efêmero do sinal vermelho, durante a madrugada, vender drogas ou assaltar. Minha imaginação ainda permite vislumbrar a delinqüência e o auto-flagelo dos andarilhos e dos meninos e meninas de rua usuários de drogas.
Mas optaram, graças, pela arte e por distrair pessoas sensíveis que ocasionalmente encontram-se detrás de um volante, sabe-se lá com que humor. Só mesmo a sensibilidade permite que aqueles segundos do sinal vermelho liberem nossa mente do estresse do corre-corre nosso de cada dia. A arte em si é terapêutica, quase um convite como o de Camões em sua celebríssima frase: “Cesse tudo o que a musa antiga canta porque outro valor mais alto se alevanta” – sem intenção de literalidade. Adaptando para a sensação no semáforo: “Cesse, por alguns segundos, o estresse até certo ponto necessário, para que eu higienize a minha mente e continue meu labor diário”.
Afirmo que os artistas daqueles segundos coloridos de vermelho apresentam-se para os que tiveram sorte ou azar porque considero sortudos os sensíveis e os bem-humorados. Mas não estaria sendo leal a mim mesma se desconsiderasse a insensibilidade dos que se referem àqueles jovens qualificando-os de “vagabundos”. Recuso-me a comentar porque sou sensível...
Eu pago pelo trabalho deles. Já paguei também pelo tapis rouge. Aos do semáforo, todavia, preciso computar o quanto posso retribuir mensalmente pela higiene mental que me proporcionam porque, afinal, passo diariamente, mais de uma vez, por um semáforo sob o qual alguns deles trabalham.
Retribuo pela higiene mental, como disse.
Retribuo pela coragem.
Retribuo pela simplicidade.
Retribuo pelo desprendimento.
Retribuo pela iniciativa.
Retribuo pela arte.
Na última vez que retribuí, no cruzamento da avenida Vieira Caúla com a Rio Madeira, na cidade de Porto Velho-RO, o jovem artista, despretensiosamente, disse-me: “Obrigado bonitinha”. Putz, ele ainda teve a gentileza de retribuir com um elogio simpaticíssimo. Senti sinceridade e despretensão, o que, diga-se, é peculiar aos artistas, e o que me fez ter o impulso irresistível de escrever o que já estava em meu coração desde minhas passagens diárias por um semáforo na cidade de Ji-Paraná-RO, onde resido.
Além do que, aos 3.6 e três filhos, um elogio sincero e despretensioso é sempre bem vindo!! Hehehehe.
Sejam bem-vindos
Sei que meus primeiros leitores serão parentes e amigos queridos, então, pretendo que este texto de boas-vindas tenha um toque de muita intimidade e afeição. Sejam, pois, realmente bem-vindos ao meu blog, que não será apenas um diário, não, afinal, todos têm uma noção, ainda que sutilzinha, do dia-a-dia de uma mulher mãe-profissional-esposa e, quando sente necessidade (só quando...rsrs), dona-de-casa.
Na verdade, pretendo que este espaço virtual tenha a conotação da minha garganta, que ainda sinto estranha, ou seja, aqui serão expostas idéias, conclusões pessoais, poesias minhas ou não, acontecimentos e impressões importantes (ao menos para mim...) do cotidiano - embora saiba que dificilmente conseguirei postar diariamente, mas me esforçarei para fazê-lo semanalmente, ao menos. Apesar do aspecto diversificado dos textos que publicarei, o tema central será sempre nosso aprimoramento como seres humanos. Sim, pois é, permitam que eu diga, às vezes não parece né, mas somos humanos. E assim, com uma fórmula bem simples: passíveis de erros e acertos, embora saibamos que, de acordo com a evolução de cada um, alguns erram mais, outros acertam mais, e o ciclo evolutivo segue seu curso rítmico e divino.
Percebi minha necessidade de expor minha, digamos assim, "garganta estranha", quando fiz minha página no orkut. Fiquei realmente maravilhada com a possibilidade de saber sobre parentes e amigos que há muito não via, mas na mesma proporção fiquei decepcionada com a falta de espaço para minha expressão, tanto que, passados alguns meses, somado à circunstância de eu estar otimizando meu tempo, cometi um orkuticídio. Então, quando um amigo pediu que eu lesse e fizesse um comentário a respeito de um post dele, percebi que o espaço de um blog seria o ideal para mim. Esse primeiro contato com a blogosfera evidenciou o motivo da minha insatisfação com o orkut, e que seria melhor eu me expressar em um espaço como esse, e não no orkut, por meio de meus sinceros, calorosos e intensos recados. É, sou assim mesmo, sincera, calorosa e intensa, portanto, não se surpreendam nem se espantem se estes três adjetivos impregnarem ou permearem meus posts.
Espero ansiosamente, como de costume, que por meio dos textos aqui publicados, sintam e compartilhem alegrias, tristezas, revoltas, sofrimentos, indignações e prazeres, e que, se forem sensíveis e perspicazes, também possam ouvir minhas gargalhadas...
Sejam bem-vindos!
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