terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Senhora Liberdade



Só entenderá o que ela diz quem já viveu em cativeiros, não um cativeiro físico, mas o cativeiro psíquico, aquele da mulher que ama demais (entendo haver controvérsias sobre esse amor...) e se subjuga perante homens perversos, aquele do drogatício, do alcóolatra, da prostituta, do delinquente, do obeso sem causa orgânica, e o cativeiro do tipo do dela e de tantas outras pessoas - a gaiola dourada do amor platônico, que arde ininterruptamente e não se concretiza jamais.
Só entenderá o que ela diz quem, tal como, mesmo não consciente da existência e mesmo do tamanho da sua dor, abstém-se desejando, aniquila sentimentos e emoções ou os externa descontrolada e agressivamente, ou se pune para não ter de punir o outro.
Só entenderá a sua dor quem já se livrou da própria gaiola - do tipo dourada ou de qualquer outro tipo.
Só entenderá a sua dor aquele que percebeu, pelos mistérios e desígnios de Deus, que se pode amar, falar, agredir para defender a si ou ao próximo, errar-pedir desculpas-ser desculpado, admitir o erro-aceitar um pedido de desculpa-desculpar, odiar e até mesmo ser odiado. Nunca tinha imaginado que existe o lado positivo em ser odiada...
Só entenderá a sua dor quem não tem a pretensão de ser perfeito, mas sempre procura melhorar para si e para o próximo.
Ela só será completa e verdadeiramente compreendida por quem tem o coração como o dela - que já viveu em cativeiro, que já expiou a sua pena e alcançou a Senhora liberdade!

Quem já quebrou a gaiola e está livre para a concretude do amor e da vida integralmente possíveis.
E só estará em paz com ela quem souber que a liberdade é Senhora porque impõe que, ao ser conquistada, seja exercitada...

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