quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ciência X Amor

Alguns dizeres de Anthony de Mello, que, sinceramente, não sei quem é, chamou minha atenção por serem tão verdadeiros em tempos atuais – embora eu também não saiba se o dito é contemporâneo ou não. Referidos dizeres me foram repassados por uma colega da faculdade, dentre outros e algumas frases, para que pudéssemos escolher a que melhor expressasse o tema de nosso trabalho da disciplina de Anatomia Humana: “Sistema Cardiovascular”, e tinha sido escolhida pelo professor de Filosofia para ilustrar a última prova dessa disciplina, no semestre.

A oração é “Laboratório e bibliotecas, saguões, pórticos e arcadas... E muitas conferências eruditas... Tudo isso vale muito pouco se não for complementado com um coração prudente e sábio, e olhos que, realmente, saibam ver!”. Maraviiiiilha!

Todavia, apesar de não ter sido escolhida, mas preterida em relação à frase “No coração é que reside o princípio e o fim de tudo” (adaptado de Leon Tolstoi), foi a que mais me levou à reflexão; não, na verdade, fez-me lembrar de acontecimentos sobre os quais eu já tinha refletido e simplesmente concluído com um pensamento singelo diante da minha impotência: “Que pena!”. Mas eu sinto pena da pena que eu sinto!

Em verdade, cientificamente o Homem já produziu não tudo, mas mais do que o suficiente para que se possa viver dignamente. A ciência, desde os primórdios da Antiguidade, porque não dizer desde os primeiros filósofos, já informou à humanidade sobre astrologia, medicina, física, química, psicologia, e tudo o mais.

Para termos uma noção da produção científica basta imaginarmos que a "gripe espanhola”, que assolou o mundo nos idos de 1918, como uma pandemia do vírus influenza, tipo H1N1 (isso mesmo, o mesmo da gripe suína, com algumas particularidades que não sei explicar tecnicamente como um cientista explicaria), matava tão rapidamente, segundo se informa, que a pessoa adoecia de manhã e à tarde estava morta, estirada na rua. E naquela época, devido à estrutura urbana e a enorme quantidade de pessoas que morriam, os corpos ficavam se acumulando nos meio-fios devido à morosidade da ciência e da tecnologia ante a rápida evolução da doença.

Mas a ciência conseguiu: o que na atualidade se viu foi o mesmo vírus, praticamente, ser considerado como de uma gripe normal, potencialmente lesivo apenas para as pessoas que se encontram no grupo de risco e, ainda assim, o número de mortos é insignificante diante do quadro mundial pintado pela "gripe espanhola".

Está aí para quem quiser ver, o progresso científico propriamente dito. Não tivemos milhares de pessoas – crianças, adultos e idosos – estiradas nas calçadas.

Mas, diante de todas as providências que foram tomadas: álcool em gel nas dependências de órgãos públicos, da atividade privada, e no ambiente doméstico, vacinação em massa, suspensão de aulas nas escolas de cidades em que se registrou casos da doença, e mulheres grávidas sendo dispensadas de comparecimento ao trabalho (integram o grupo de risco), ainda se viu gestantes que trabalham como “caixas” em supermercados terem de se submeter, em plena crise, ao atendimento de inúmeras pessoas durante sua jornada de trabalho porque o coração de seu empregador não é um coração prudente e sábio.

Outra noção da efetividade científica, digna de nota, é a circunstância de geólogos americanos terem previsto, cerca de 6 ou 7 anos antes, a catástrofe ocorrida no Haiti, consistente em um terremoto de 7 pontos na escala Hichter, o de maior potencial de destruição ocorrido em 200 anos. O mais surpreendente ainda é que esses mesmos cientistas se dignaram a notificar as autoridades daquele País, com a antecedência supramencionada, acerca da futura ocorrência do terremoto.

Mas o Haiti era um país pobre, agora é miserável, e talvez precisasse de uma eternidade para, com recursos próprios, reconstruir seus prédios utilizando-se da moderna tecnologia de arquitetura e engenharia, capaz de suportar altos graus de abalos sísmicos.

Em contrapartida, nos países ricos gastam-se bilhões com a produção de armas nucleares ou com a recuperação de instituições financeiras; países esses que se uniram pós-desastre para arrecadar fundos de ajuda humanitária àqueles que, nem em gerações futuras, recuperarão a sua dignidade, globalmente falando.

De fato, ainda não temos olhos que, realmente, sabem ver.

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