terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Carta a minha mãe

Oi mãezinha, há quanto tempo. Sinto meu coração apertadinho por não ter estado mais próxima de ti porque sei que não é a distância física que determina o quão próximos estamos de alguém.
Mas posso dizer que talvez essa distância foi que propiciou nosso encontro, adiado há exatos 20 anos. Desculpe a demora, mas como você bem sabe, podemos escolher um destino, mas o caminho não podemos traçar meticulosa nem deliberadamente.
Da última vez que verdadeiramente nos encontramos eu te neguei, para o nosso bem. Eu ainda não estava pronta, embora hoje perceba claramente que meus alicerces já tinham sido montados.
Esta não é para ser uma carta de cobranças, muito menos de perdão. Estamos quites mãezinha, desde nosso entendimento ao telefone e desde agora, quando ao me reencontrar, por mais que pareça estranho, encontro você.
Mas preciso me despedir.
Despeço-me daquela que me parecia, na vez primeira, a pessoa mais dura e inflexível do mundo, para hoje encontrar minha mãe paradoxalmente frágil e aguerrida.
Despeço-me daquela que me parecia rude e insensível, para hoje encontrar minha mãezinha com a sua história, com a sua Existência, e poder te dizer com muito amor e gratidão que eu te reconheço e aceito. Na verdade, sempre te busquei de forma equivocada e pelos caminhos que não me levaram a ti.
Te quis perfeita, invariavelmente amável e carinhosa, intelectualmente ativa e sempre presente. Como eu nem consegui ser todas as vezes. Exigi demais de ti, de nós duas, embora saibamos que nosso dever como seres humanos é sim buscarmos a excelência porque somos à imagem e semelhança de nosso Senhor.
Despeço-me daquela que eu considerava sem noção e infantil, para hoje encontrar minha mãe adorável, brincalhona, sincera e habilidosa com as pessoas.
Despeço-me daquela que me dava medo e me envergonhava, para te encontrar mãezinha, no fio da navalha, driblando a sua dor, e ainda assim, pouco sucumbindo às vicissitudes.
Para te encontrar, fora do ponto cego, digna, forte, valorosa e mais, muito mais do que fiel, leal.
Despeço-me daquela que me afligia com seus choros e estado nervoso, para encontrar uma mulher autêntica, que se assume.
Fácil perceber, mãezinha, como foi difícil eu te encontrar e me reencontrar.
Vinte anos para que eu pudesse de fato mudar minhas percepções, tirá-las do inconsciente e perceber que eram infantis, de quando eu não tinha capacidade cognitiva para elaborar meus sentimentos em relação às suas atitudes.
Vinte anos para eu te entregar esta carta, que, como eu disse, não é de cobranças, acusações ou de perdão. Talvez para dizer, ainda timidamente, que agora posso te ajudar, nos ajudar. Permita-me, sim, o farei como a mim mesma!
Mas pode ser, para que eu seja justa contigo, uma carta de agradecimento.
Minha criança te agradece pelas infindáveis historinhas que você nos contava, pelas musiquinhas antigas, pelas cantigas de roda, que me faziam pensar, imaginar, elaborar.
Minha criança te agradece pela comida deliciosa, pelas bolachinhas de nata, pelas fatias húngaras, pelos bolinhos de chuva e pela chocolatada. Pelos momentos prazerosos em família, que pudemos desfrutar porque você não media esforços para preparar nossas refeições.
Minha criança te agradece por ter me ensinado celebrar a vida, sempre e apesar das circunstâncias.
Minha criança te agradece pelo chokito que você levou na minha sala da pré-escola porque tinha saído com meu irmão e comprado um para ele. Sem saber, plantou em mim a sementinha da justiça.
Minha criança te agradece por ter permitido, instintivamente, que eu sentisse o teu cheiro – quando estavas perfumada para sair ou quando estavas suada depois de lavar roupas -, que eu sentisse a tua pele, brincando de me oferecer os peitos para mamar e de fazer barulho na tua barriga.
Minha criança agradece a tua fortaleza porque hoje, adulta, sei o que ela te custou.
E hoje, um pouco mais amadurecida, eu te agradeço por ter me devolvido.
Por ter me mostrado quais eram os seus e os meus limites.
Por ser a minha mãe!
Eu te amo mãezinha querida!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O amor faz crer e desacreditar de tudo


"O amor nos faz crer e desacreditar de tudo...
Acreditar e descrer novamente...
Crer para ver... e ver para crer...
Tal qual a Psicologia!
Ahh, quando fevereiro chegar!"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Good night, God!

Apesar de alguns sufocos
e alguma dor pelo auto-conhecimento
Nesta delícia de vida
Eu não me reconheço!

domingo, 28 de novembro de 2010

Pensando o Pensamento de Millor Fernandes

"O importante é ter sem que o ter te tenha"

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Oração de Hoje

"Espero, ansiosamente,
um dia parafrasear Jung,
e poder concluir um livro
dizendo que a minha vida é
a história de uma vocação
que se realizou."

sábado, 6 de novembro de 2010

Testando paixões

Clara, Raul e Júlia.
Acordar com as crianças beijando meu rosto.
Estar com minha família.
Ler todos os livros que guardei para quando puder ser eu.
E tantos outros.
Sentir a brisa suave, com cheiro de chuva, entrar pelas minhas narinas
E fechar os olhos de prazer.
Curtir a varanda, lendo o livro e sentindo a brisa suave.
Não ter com as horas.
Escrever, escrever, escrever.
Scarpin vermelho.
Ter verde sempre por perto.
Ter a casa limpa e organizada, mas não por mim.
Preparar, de vez em quando, o prato predileto daqueles que amo.
Ter amigos que me permitam estar ausente.
Dirigir caminhão.
Capuccino e sushi.
Falar sobre minhas paixões.
Falar sobre o que acredito piamente.
Mas falar o essencial.
Acreditar que existe uma Energia Superior e Universal
que engendra criteriosamente nossa Existência
Ter amor.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

Budismo Kadamapa

"Aprenderei a oferecer ajuda e felicidade direta e indiretamente a todas as minhas mães, e secretamente assumir todas as suas ações danosas e sofrimento" (Landri Thangpa, in Oito Versos sobre o Treinamento Mental)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pensamento

"Para ser feliz, encontre seu nicho; e meios de não permitir que te enfiem um goela abaixo"

Consolo ou Necessidade

"Eu quero ser um humano livre e louco, mas completo" (Fábio Júnior)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Meditação

Não queremos que o dia-a-dia desumanize,
nos tire do contato conosco
Necessitamos tanto de nós
quanto do ar que o Universo permite que respiremos
Não por questão de individualidade ou egoísmo,
mas só porque quando nos perdemos de nós,
também não encontramos os outros
Queremos nos livrar do dia-a-dia cuja conotação
nos priva dos relacionamentos, da natureza e da meditação
Mas quem seremos sem esse dia-a-dia?
Bem aquele que programamos em detalhes
no afã de se viver dia-por-dia
Queremos um dia, surdo
Queremos um dia, mudo
Queremos um dia, sem paladar e olfato
Queremos um dia, sem tato
Sem espanto, queremos o sofrimento que apazigua
que enseja introvisão, que permite a dialética do coração

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carta ao meu pai

Só hoje percebo que não respeitei e não aceitei sua decisão. E só hoje aceito também que naquele momento, com a tua história, não tinhas como decidir de maneira diferente.
Não só agora, mas como sempre tenho feito, consciente e amorosamente, agradeço imensamente pelo amor e pela dedicação quase integral à sua família.
Exatamente pelo que és e pelo que me proporcionou, rogo à Deus que te proteja sempre e que ilumine seus passos e a sua mente.
E se precisar de mim, estou sempre aqui para apoiá-lo e ajudá-lo no que for preciso e possível; e sei que a recíproca é verdadeira.
Eu te amo!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"FUEGO DEL AMOR, CONSUMA MI TEMOR" (Condor Blanco)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Simples Estado de Espírito

Leve como uma pluma
Num vai e vem escalonado
até pousar nas águas mais límpidas
que meus olhos já viram

Mas não tem mais beleza que os
pés do Mensageiro do meu ou do
seu Senhor

Tanto faz
Faz tempo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pensamento

"A Psicologia é magnífica, mas é pura tolice ignorar a existência de coisas importantes e significantes além dela... e se assim o for, não terá outra conotação que não, ouro de tolo."

Em memória de mim

“Sofisticadas palavras traduzindo um vocabulário tão erudito quanto natural. Soa o sino da sofisticação, da cultura, quiçá do desejo de inclusão. Melhor assim à busca tresloucada do prazer carnal ou da vagabundagem não ocasional – porque nessa outra modalidade eu a prezo, pelos motivos de Aristóteles, com paixão. Minha mademoiselle é pura, quase um não-ser – mas poucos, diga-se, puderam vê-la assim -, e deseja gozar a ressaca da erudição, bem como, exigente, sentir o cheiro do capim orvalhado.”

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ciência X Amor

Alguns dizeres de Anthony de Mello, que, sinceramente, não sei quem é, chamou minha atenção por serem tão verdadeiros em tempos atuais – embora eu também não saiba se o dito é contemporâneo ou não. Referidos dizeres me foram repassados por uma colega da faculdade, dentre outros e algumas frases, para que pudéssemos escolher a que melhor expressasse o tema de nosso trabalho da disciplina de Anatomia Humana: “Sistema Cardiovascular”, e tinha sido escolhida pelo professor de Filosofia para ilustrar a última prova dessa disciplina, no semestre.

A oração é “Laboratório e bibliotecas, saguões, pórticos e arcadas... E muitas conferências eruditas... Tudo isso vale muito pouco se não for complementado com um coração prudente e sábio, e olhos que, realmente, saibam ver!”. Maraviiiiilha!

Todavia, apesar de não ter sido escolhida, mas preterida em relação à frase “No coração é que reside o princípio e o fim de tudo” (adaptado de Leon Tolstoi), foi a que mais me levou à reflexão; não, na verdade, fez-me lembrar de acontecimentos sobre os quais eu já tinha refletido e simplesmente concluído com um pensamento singelo diante da minha impotência: “Que pena!”. Mas eu sinto pena da pena que eu sinto!

Em verdade, cientificamente o Homem já produziu não tudo, mas mais do que o suficiente para que se possa viver dignamente. A ciência, desde os primórdios da Antiguidade, porque não dizer desde os primeiros filósofos, já informou à humanidade sobre astrologia, medicina, física, química, psicologia, e tudo o mais.

Para termos uma noção da produção científica basta imaginarmos que a "gripe espanhola”, que assolou o mundo nos idos de 1918, como uma pandemia do vírus influenza, tipo H1N1 (isso mesmo, o mesmo da gripe suína, com algumas particularidades que não sei explicar tecnicamente como um cientista explicaria), matava tão rapidamente, segundo se informa, que a pessoa adoecia de manhã e à tarde estava morta, estirada na rua. E naquela época, devido à estrutura urbana e a enorme quantidade de pessoas que morriam, os corpos ficavam se acumulando nos meio-fios devido à morosidade da ciência e da tecnologia ante a rápida evolução da doença.

Mas a ciência conseguiu: o que na atualidade se viu foi o mesmo vírus, praticamente, ser considerado como de uma gripe normal, potencialmente lesivo apenas para as pessoas que se encontram no grupo de risco e, ainda assim, o número de mortos é insignificante diante do quadro mundial pintado pela "gripe espanhola".

Está aí para quem quiser ver, o progresso científico propriamente dito. Não tivemos milhares de pessoas – crianças, adultos e idosos – estiradas nas calçadas.

Mas, diante de todas as providências que foram tomadas: álcool em gel nas dependências de órgãos públicos, da atividade privada, e no ambiente doméstico, vacinação em massa, suspensão de aulas nas escolas de cidades em que se registrou casos da doença, e mulheres grávidas sendo dispensadas de comparecimento ao trabalho (integram o grupo de risco), ainda se viu gestantes que trabalham como “caixas” em supermercados terem de se submeter, em plena crise, ao atendimento de inúmeras pessoas durante sua jornada de trabalho porque o coração de seu empregador não é um coração prudente e sábio.

Outra noção da efetividade científica, digna de nota, é a circunstância de geólogos americanos terem previsto, cerca de 6 ou 7 anos antes, a catástrofe ocorrida no Haiti, consistente em um terremoto de 7 pontos na escala Hichter, o de maior potencial de destruição ocorrido em 200 anos. O mais surpreendente ainda é que esses mesmos cientistas se dignaram a notificar as autoridades daquele País, com a antecedência supramencionada, acerca da futura ocorrência do terremoto.

Mas o Haiti era um país pobre, agora é miserável, e talvez precisasse de uma eternidade para, com recursos próprios, reconstruir seus prédios utilizando-se da moderna tecnologia de arquitetura e engenharia, capaz de suportar altos graus de abalos sísmicos.

Em contrapartida, nos países ricos gastam-se bilhões com a produção de armas nucleares ou com a recuperação de instituições financeiras; países esses que se uniram pós-desastre para arrecadar fundos de ajuda humanitária àqueles que, nem em gerações futuras, recuperarão a sua dignidade, globalmente falando.

De fato, ainda não temos olhos que, realmente, sabem ver.

domingo, 20 de junho de 2010

Pensamento

Meus leitores mais pudicos que me perdoem, mas preciso postar um pensamento que não é propriamente meu, mas de um grupo de mulheres lindas, conscientes, inteligentes e super, mas super-animadas... hehehe
Só farei uma adaptaçãozinha, porque acredito realmente que a Vida é bela e divina: "VIDA ÀS VEZES FUDIDA, PORÉM SEMPRE DIVERTIDA!!!!!
E para os psicologistas de plantão: Isso não corresponde a, necessariamente, altos e baixos...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Twittando

Hoje fiz a pergunta: Porque eu estou aqui?. Nada além de uma variante da pergunta "O que é que eu estou fazendo aqui", a que me referi no post abaixo...
Me veio à mente na aula prática de anatomia humana para estudo dos músculos, quando me deparei com peças (partes, na verdade) de um cadáver masculino expostas em macas de alumínio, lembrando um assado de carneiro...
Mas a professora é 10 e tudo continua valendo a pena.

domingo, 14 de março de 2010

Um princípio humanista

Sinto um prazer muito grande ao assistir às aulas da faculdade de Psicologia e, acreditem, estava tão acostumada a dar prazer aos outros e a trilhar, ainda que “sendo levada” imaturamente, por caminhos cujo destino eu não almejava, que ainda sinto um pouco de culpa. Coisa de doido, no bom sentido – se é que exista bom sentido nisso. Sou realmente otimista.
A pergunta “o que é que eu estou fazendo aqui?” – aos 37 anos, casada, com três filhos, profissional do Direito, e viajando cerca de 4 horas diárias pela BR - fiz uma única vez nessa faculdade, até agora, mas só consegui responder: “não sei, mas eu realmente estou aqui dessa vez, e tão feliz!”. É o que mais está importando no momento.
Como disse inicialmente, quando da inauguração deste blog, os posts terão o aspecto mais variado possível, em termos de linguagem e de conteúdo – combina comigo – e hoje quero compartilhar uma aula da faculdade, só porque eu fiquei babando... Rsrsrs
Adoro quando tenho a oportunidade de ouvir informações acerca de assuntos dos quais eu já pensei a respeito, mas “filosofando” (indo à via, como prefiro), e não de uma forma técnica e muito bem elaborada por cientistas, como a que a professora de Psicologia Geral I explicitou, e que pretendo repassar agora, sobre um dos princípios do sistema da psicologia humanista, porque, de certa forma, deu contorno à resposta da minha indagação supramencionada.
Imaginem uma pirâmide subdividida em cinco partes, desde a ampla base até seu cume, mas na representação que faço abaixo me dêem um desconto porque não sei desenhar no word um pico igual ao daquela figura geométrica. E talvez nem se visualize no blog, mas certamente vão perceber uma imaginária.
Entendi como cinco etapas, gradativas obviamente, e começando pela base, para se alcançar a rigidez que mencionei em post anterior, e, nos dizeres da professora, para que se possa dizer: “Eu sou, sei quem sou, e os outros pensam de mim o que sou”. Parece fácil, né, mas corresponde à árdua tarefa de um(a) terapeuta em relação ao paciente.


Posso tudo, tenho tudo e não temo nada

5 - AUTO-REALIZAÇÃO


4 - O PERTENCER


3 - SEGURANÇA


2 - QUALIDADE DE VIDA


1 - NECESSIDADE BÁSICA

Sobreviventes


A base da pirâmide corresponde ao estágio da vida em que o básico é o suficiente, e quando se é jovem geralmente é assim. Só o básico é suficiente para se viver.
Com o passar do tempo, todavia, já almejamos qualidade de vida. Mas o que é qualidade de vida? Penso que é um estágio de equilíbrio entre família, amigos, trabalho, lazer e cultura; e para mim, o equilíbrio pressupõe o estresse mínimo. Já estamos no nível dois da pirâmide.
A perspectiva humanista da psicologia, segundo a professora a que me referi, tem base na filosofia existencial de Jean Paul Satre, para quem: “os homens comuns, o mundo faz eles, os homens incomuns, eles fazem o mundo”; referenciando a docente uma passagem do material de aula (Xerox do capítulo I do livro “Introdução à Psicologia”, de Linda L. Davidoff) que diz que seres humanos exemplares - como Leonardo da Vinci, exemplificado pela professora – possuem quinze características comuns, dentre as quais “uma percepção precisa da realidade, a capacidade de aceitar-se e aos outros, a naturalidade, o interesse nos problemas em vez do interesse em si mesmos, o gosto positivo pela solidão e pela privacidade, a resistência ao conformismo e um profundo sentimento de simpatia pelas pessoas”. Referido texto segue narrando: “Os indivíduos auto-realizados não eram inteiramente angélicos. Em certas ocasiões, podiam ser obstinados, frios, irritáveis, desagradáveis, egoístas e deprimidos”.
A professora acrescentou que os indivíduos com tais características, apesar de gostarem de pessoas, não perdem seu tempo com quem sabe menos que elas, têm necessidade de estar ao lado de pessoas que têm a acrescentar, e sentem-se realmente entediadas com a falta de assunto ou de conteúdo. São excêntricas.
Passemos ao nível três: a segurança – tão almejada em dias atuais. Nesse ponto abro um parêntese para expor algo que me recorre no momento e que, quando li já há algum tempo (por isso não lembro a fonte... embora tenha a impressão de ter sido na página de comportamento do uol), achei muito pertinente e verdadeiro: os adolescentes que passaram toda a vida em condomínios, daqueles que formam verdadeiras micro-comunidades isoladas do “resto do mundo” – pois têm clubes, escolas, padarias e mini-shoppings para atender a sua comunidade -, incutem em seus inconscientes que todas as pessoas são “tios e tias”, e são surpreendidos quando, no mundo do lado de fora dos altos muros do condomínio, são negativamente influenciados, intimidados, violentados ou eliminados por bruxos e bruxas de verdade (pedófilos, traficantes, estupradores, maus professores, maus profissionais, amigos perversos., dentre outros).
Mas, depois de se alcançar o nível dois, melhor e mais se obtém segurança em vários sentidos: segurança econômico-financeira, segurança física, segurança profissional, segurança afetiva, etc; a meio caminho para a segurança no amor.
E o nível quatro – do pertencer - é muito interessante. Significa o estágio que o indivíduo alcança, depois de ter passado pelos níveis anteriores (e permanecido certo tempo), o poder experimentar a sensação de inclusão no mundo e, como ser humano, poder dizer que “tem um pedaço disso tudo”, mais verdadeiramente, que “é um pedaço disso tudo”. Mas é o estar inteiro: o pedaço de um todo, mas inteiro no sentido da auto-suficiência.
Para mim “isso tudo” é o “universo cósmico divinamente engendrado”.
Achei demais quando a professora pontuou que o amor só é verdadeiro neste estágio, explicando que somente aqui a pessoa está pronta para o amor verdadeiro e para tudo o que ele significa, enquanto que o amor da pessoa que se encontra no "estágio um" da vida ainda é incipiente demais e geralmente corresponde ao apego, ao preenchimento ou atendimento do que ainda é básico para se viver, do que ainda se faz imprescindível. Precisar de alguém do lado é diferente de ser imprescindível tê-lo(a) do lado, mesmo não precisando. Pode estar aqui a explicação para alguns casamentos não resistirem ou para algumas pessoas não resistirem a ele...
A professora ainda disse que, por ela, acrescentaria mais dois estágios à pirâmide dos humanistas, equivalentes aos dois extremos da figura geométrica: um anterior ao da necessidade básica, correspondente ao nível dos sobreviventes, daqueles que não tem nem mesmo o mínimo para se viver com a dignidade de uma pessoa humana; e outro no vértice do ápice, representando o estágio em que se pode tudo, em que se quer tudo, em que nada é temido. Nos dizeres dessa docente: “dois extremos preocupantes”; já que relacionados à ausência de equilíbrio e patologias sociais e mentais.
Espero que possam refletir sobre o assunto, como eu refleti, e que busquemos a auto-realização! Até mais ver.