Sinto um prazer muito grande ao assistir às aulas da faculdade de Psicologia e, acreditem, estava tão acostumada a dar prazer aos outros e a trilhar, ainda que “sendo levada” imaturamente, por caminhos cujo destino eu não almejava, que ainda sinto um pouco de culpa. Coisa de doido, no bom sentido – se é que exista bom sentido nisso. Sou realmente otimista.
A pergunta “o que é que eu estou fazendo aqui?” – aos 37 anos, casada, com três filhos, profissional do Direito, e viajando cerca de 4 horas diárias pela BR - fiz uma única vez nessa faculdade, até agora, mas só consegui responder: “não sei, mas eu realmente estou aqui dessa vez, e tão feliz!”. É o que mais está importando no momento.
Como disse inicialmente, quando da inauguração deste blog, os posts terão o aspecto mais variado possível, em termos de linguagem e de conteúdo – combina comigo – e hoje quero compartilhar uma aula da faculdade, só porque eu fiquei babando... Rsrsrs
Adoro quando tenho a oportunidade de ouvir informações acerca de assuntos dos quais eu já pensei a respeito, mas “filosofando” (indo à via, como prefiro), e não de uma forma técnica e muito bem elaborada por cientistas, como a que a professora de Psicologia Geral I explicitou, e que pretendo repassar agora, sobre um dos princípios do sistema da psicologia humanista, porque, de certa forma, deu contorno à resposta da minha indagação supramencionada.
Imaginem uma pirâmide subdividida em cinco partes, desde a ampla base até seu cume, mas na representação que faço abaixo me dêem um desconto porque não sei desenhar no word um pico igual ao daquela figura geométrica. E talvez nem se visualize no blog, mas certamente vão perceber uma imaginária.
Entendi como cinco etapas, gradativas obviamente, e começando pela base, para se alcançar a rigidez que mencionei em post anterior, e, nos dizeres da professora, para que se possa dizer: “Eu sou, sei quem sou, e os outros pensam de mim o que sou”. Parece fácil, né, mas corresponde à árdua tarefa de um(a) terapeuta em relação ao paciente.
Posso tudo, tenho tudo e não temo nada
5 - AUTO-REALIZAÇÃO
4 - O PERTENCER
3 - SEGURANÇA
2 - QUALIDADE DE VIDA
1 - NECESSIDADE BÁSICA
Sobreviventes
A base da pirâmide corresponde ao estágio da vida em que o básico é o suficiente, e quando se é jovem geralmente é assim. Só o básico é suficiente para se viver.
Com o passar do tempo, todavia, já almejamos qualidade de vida. Mas o que é qualidade de vida? Penso que é um estágio de equilíbrio entre família, amigos, trabalho, lazer e cultura; e para mim, o equilíbrio pressupõe o estresse mínimo. Já estamos no nível dois da pirâmide.
A perspectiva humanista da psicologia, segundo a professora a que me referi, tem base na filosofia existencial de Jean Paul Satre, para quem: “os homens comuns, o mundo faz eles, os homens incomuns, eles fazem o mundo”; referenciando a docente uma passagem do material de aula (Xerox do capítulo I do livro “Introdução à Psicologia”, de Linda L. Davidoff) que diz que seres humanos exemplares - como Leonardo da Vinci, exemplificado pela professora – possuem quinze características comuns, dentre as quais “uma percepção precisa da realidade, a capacidade de aceitar-se e aos outros, a naturalidade, o interesse nos problemas em vez do interesse em si mesmos, o gosto positivo pela solidão e pela privacidade, a resistência ao conformismo e um profundo sentimento de simpatia pelas pessoas”. Referido texto segue narrando: “Os indivíduos auto-realizados não eram inteiramente angélicos. Em certas ocasiões, podiam ser obstinados, frios, irritáveis, desagradáveis, egoístas e deprimidos”.
A professora acrescentou que os indivíduos com tais características, apesar de gostarem de pessoas, não perdem seu tempo com quem sabe menos que elas, têm necessidade de estar ao lado de pessoas que têm a acrescentar, e sentem-se realmente entediadas com a falta de assunto ou de conteúdo. São excêntricas.
Passemos ao nível três: a segurança – tão almejada em dias atuais. Nesse ponto abro um parêntese para expor algo que me recorre no momento e que, quando li já há algum tempo (por isso não lembro a fonte... embora tenha a impressão de ter sido na página de comportamento do uol), achei muito pertinente e verdadeiro: os adolescentes que passaram toda a vida em condomínios, daqueles que formam verdadeiras micro-comunidades isoladas do “resto do mundo” – pois têm clubes, escolas, padarias e mini-shoppings para atender a sua comunidade -, incutem em seus inconscientes que todas as pessoas são “tios e tias”, e são surpreendidos quando, no mundo do lado de fora dos altos muros do condomínio, são negativamente influenciados, intimidados, violentados ou eliminados por bruxos e bruxas de verdade (pedófilos, traficantes, estupradores, maus professores, maus profissionais, amigos perversos., dentre outros).
Mas, depois de se alcançar o nível dois, melhor e mais se obtém segurança em vários sentidos: segurança econômico-financeira, segurança física, segurança profissional, segurança afetiva, etc; a meio caminho para a segurança no amor.
E o nível quatro – do pertencer - é muito interessante. Significa o estágio que o indivíduo alcança, depois de ter passado pelos níveis anteriores (e permanecido certo tempo), o poder experimentar a sensação de inclusão no mundo e, como ser humano, poder dizer que “tem um pedaço disso tudo”, mais verdadeiramente, que “é um pedaço disso tudo”. Mas é o estar inteiro: o pedaço de um todo, mas inteiro no sentido da auto-suficiência.
Para mim “isso tudo” é o “universo cósmico divinamente engendrado”.
Achei demais quando a professora pontuou que o amor só é verdadeiro neste estágio, explicando que somente aqui a pessoa está pronta para o amor verdadeiro e para tudo o que ele significa, enquanto que o amor da pessoa que se encontra no "estágio um" da vida ainda é incipiente demais e geralmente corresponde ao apego, ao preenchimento ou atendimento do que ainda é básico para se viver, do que ainda se faz imprescindível. Precisar de alguém do lado é diferente de ser imprescindível tê-lo(a) do lado, mesmo não precisando. Pode estar aqui a explicação para alguns casamentos não resistirem ou para algumas pessoas não resistirem a ele...
A professora ainda disse que, por ela, acrescentaria mais dois estágios à pirâmide dos humanistas, equivalentes aos dois extremos da figura geométrica: um anterior ao da necessidade básica, correspondente ao nível dos sobreviventes, daqueles que não tem nem mesmo o mínimo para se viver com a dignidade de uma pessoa humana; e outro no vértice do ápice, representando o estágio em que se pode tudo, em que se quer tudo, em que nada é temido. Nos dizeres dessa docente: “dois extremos preocupantes”; já que relacionados à ausência de equilíbrio e patologias sociais e mentais.
Espero que possam refletir sobre o assunto, como eu refleti, e que busquemos a auto-realização! Até mais ver.
A pergunta “o que é que eu estou fazendo aqui?” – aos 37 anos, casada, com três filhos, profissional do Direito, e viajando cerca de 4 horas diárias pela BR - fiz uma única vez nessa faculdade, até agora, mas só consegui responder: “não sei, mas eu realmente estou aqui dessa vez, e tão feliz!”. É o que mais está importando no momento.
Como disse inicialmente, quando da inauguração deste blog, os posts terão o aspecto mais variado possível, em termos de linguagem e de conteúdo – combina comigo – e hoje quero compartilhar uma aula da faculdade, só porque eu fiquei babando... Rsrsrs
Adoro quando tenho a oportunidade de ouvir informações acerca de assuntos dos quais eu já pensei a respeito, mas “filosofando” (indo à via, como prefiro), e não de uma forma técnica e muito bem elaborada por cientistas, como a que a professora de Psicologia Geral I explicitou, e que pretendo repassar agora, sobre um dos princípios do sistema da psicologia humanista, porque, de certa forma, deu contorno à resposta da minha indagação supramencionada.
Imaginem uma pirâmide subdividida em cinco partes, desde a ampla base até seu cume, mas na representação que faço abaixo me dêem um desconto porque não sei desenhar no word um pico igual ao daquela figura geométrica. E talvez nem se visualize no blog, mas certamente vão perceber uma imaginária.
Entendi como cinco etapas, gradativas obviamente, e começando pela base, para se alcançar a rigidez que mencionei em post anterior, e, nos dizeres da professora, para que se possa dizer: “Eu sou, sei quem sou, e os outros pensam de mim o que sou”. Parece fácil, né, mas corresponde à árdua tarefa de um(a) terapeuta em relação ao paciente.
Posso tudo, tenho tudo e não temo nada
5 - AUTO-REALIZAÇÃO
4 - O PERTENCER
3 - SEGURANÇA
2 - QUALIDADE DE VIDA
1 - NECESSIDADE BÁSICA
Sobreviventes
A base da pirâmide corresponde ao estágio da vida em que o básico é o suficiente, e quando se é jovem geralmente é assim. Só o básico é suficiente para se viver.
Com o passar do tempo, todavia, já almejamos qualidade de vida. Mas o que é qualidade de vida? Penso que é um estágio de equilíbrio entre família, amigos, trabalho, lazer e cultura; e para mim, o equilíbrio pressupõe o estresse mínimo. Já estamos no nível dois da pirâmide.
A perspectiva humanista da psicologia, segundo a professora a que me referi, tem base na filosofia existencial de Jean Paul Satre, para quem: “os homens comuns, o mundo faz eles, os homens incomuns, eles fazem o mundo”; referenciando a docente uma passagem do material de aula (Xerox do capítulo I do livro “Introdução à Psicologia”, de Linda L. Davidoff) que diz que seres humanos exemplares - como Leonardo da Vinci, exemplificado pela professora – possuem quinze características comuns, dentre as quais “uma percepção precisa da realidade, a capacidade de aceitar-se e aos outros, a naturalidade, o interesse nos problemas em vez do interesse em si mesmos, o gosto positivo pela solidão e pela privacidade, a resistência ao conformismo e um profundo sentimento de simpatia pelas pessoas”. Referido texto segue narrando: “Os indivíduos auto-realizados não eram inteiramente angélicos. Em certas ocasiões, podiam ser obstinados, frios, irritáveis, desagradáveis, egoístas e deprimidos”.
A professora acrescentou que os indivíduos com tais características, apesar de gostarem de pessoas, não perdem seu tempo com quem sabe menos que elas, têm necessidade de estar ao lado de pessoas que têm a acrescentar, e sentem-se realmente entediadas com a falta de assunto ou de conteúdo. São excêntricas.
Passemos ao nível três: a segurança – tão almejada em dias atuais. Nesse ponto abro um parêntese para expor algo que me recorre no momento e que, quando li já há algum tempo (por isso não lembro a fonte... embora tenha a impressão de ter sido na página de comportamento do uol), achei muito pertinente e verdadeiro: os adolescentes que passaram toda a vida em condomínios, daqueles que formam verdadeiras micro-comunidades isoladas do “resto do mundo” – pois têm clubes, escolas, padarias e mini-shoppings para atender a sua comunidade -, incutem em seus inconscientes que todas as pessoas são “tios e tias”, e são surpreendidos quando, no mundo do lado de fora dos altos muros do condomínio, são negativamente influenciados, intimidados, violentados ou eliminados por bruxos e bruxas de verdade (pedófilos, traficantes, estupradores, maus professores, maus profissionais, amigos perversos., dentre outros).
Mas, depois de se alcançar o nível dois, melhor e mais se obtém segurança em vários sentidos: segurança econômico-financeira, segurança física, segurança profissional, segurança afetiva, etc; a meio caminho para a segurança no amor.
E o nível quatro – do pertencer - é muito interessante. Significa o estágio que o indivíduo alcança, depois de ter passado pelos níveis anteriores (e permanecido certo tempo), o poder experimentar a sensação de inclusão no mundo e, como ser humano, poder dizer que “tem um pedaço disso tudo”, mais verdadeiramente, que “é um pedaço disso tudo”. Mas é o estar inteiro: o pedaço de um todo, mas inteiro no sentido da auto-suficiência.
Para mim “isso tudo” é o “universo cósmico divinamente engendrado”.
Achei demais quando a professora pontuou que o amor só é verdadeiro neste estágio, explicando que somente aqui a pessoa está pronta para o amor verdadeiro e para tudo o que ele significa, enquanto que o amor da pessoa que se encontra no "estágio um" da vida ainda é incipiente demais e geralmente corresponde ao apego, ao preenchimento ou atendimento do que ainda é básico para se viver, do que ainda se faz imprescindível. Precisar de alguém do lado é diferente de ser imprescindível tê-lo(a) do lado, mesmo não precisando. Pode estar aqui a explicação para alguns casamentos não resistirem ou para algumas pessoas não resistirem a ele...
A professora ainda disse que, por ela, acrescentaria mais dois estágios à pirâmide dos humanistas, equivalentes aos dois extremos da figura geométrica: um anterior ao da necessidade básica, correspondente ao nível dos sobreviventes, daqueles que não tem nem mesmo o mínimo para se viver com a dignidade de uma pessoa humana; e outro no vértice do ápice, representando o estágio em que se pode tudo, em que se quer tudo, em que nada é temido. Nos dizeres dessa docente: “dois extremos preocupantes”; já que relacionados à ausência de equilíbrio e patologias sociais e mentais.
Espero que possam refletir sobre o assunto, como eu refleti, e que busquemos a auto-realização! Até mais ver.
Wow, q aula!!!
ResponderExcluirÉ... quando a professora é boa, a aula fica na cabeça... Rsrsrs
ResponderExcluirNossa Cris, gostei bastante, até me deu saudade da aula dela!! e logo lembrei "o que você tem a ver com isso" rsrsrs
ResponderExcluirAmei essa frase dela!! Rsrsrs
ResponderExcluirCrissssssssssss....
ResponderExcluiramei!!! Sério... o texto está maravilhoso e a indução à reflexão fantástica... será que estou gostando de filosofar? hauhauahuah... não sei... vou ler outro e depois te conto!!!
Ownnnn, nem acredito que passeou por aqui... Rsrsrsrs Quanta honra...
ResponderExcluirDesconfiei depois que li a frase que postou no orkut... Rsrsrs
Seja bem-vinda!!!!!