sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pensamento



"Conviver - esta é a palavra-chave da modernidade, com o maior espectro imaginável de aplicação -, e tal qual, boa e ruim. Na mesma medida em que conviver e saber conviver é preciso, também é terrível, porque no processo de modernização, individualidade e subjetividade foram enaltecidas e moldadas, sobremaneira.
Entre o individual e o coletivo deve equilibrar-se o ser moderno com a sobriedade que deve ter um equilibrista na corda bamba."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pensamento


"Prefiro as opções que surgem diante de um precipício às que surgem diante de uma encruzilhada"

terça-feira, 7 de julho de 2009

Repassando para todas as mulheres que batalham, que lutam para serem felizes!


MULHERES POSSÍVEIS
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

(TEXTO ESCRITO POR MARTHA MEDEIROS - Jornalista e escritora, publicado na revista Jornal O Globo)

Oração Orada


Sinto-me tão forte ... tão forte ... e tão frágil ... tão frágil
Todavia, impassível por demais necessário se fez
Aparentemente ...
Enxergar além do que se vê
Ouvir além das palavras que são ditas
Sentir além do que se toca e do que se inspira
Faz-me assim contraditória
Permita, Senhor,que eu enxergue apenas o que está diante dos meus olhos,
que eu ouça apenas o que chega aos meus ouvidos,
que eu sinta apenas o que me é tocado e o que eu toco,
que eu inspire apenas o ar em meus pulmões
E alcance equilíbrio e igualdade na imperfeição ...
Ou então, perfeita que sou sob Seus olhos,
dê-me o benefício da assertividade e do discernimento
diante de tudo o que vejo, ouço e sinto
Quando, finalmente, e penso humilde agora ...
poderá haver repouso no cadinho das minhas emoções. Amém.
(Em 12.09.2008)

domingo, 5 de julho de 2009

Pensamento

"Não devemos nunca subestimar o instinto de sobrevivência de um animal, racional ou não, quanto mais se ele estiver cercado por sua família, originária ou não..."

sábado, 4 de julho de 2009

Porque e para que ser tão forte?




A primogênita tem 10 anos. E o que a mãe dela esperava nunca existir entre elas, aconteceu: tiveram uma briga que culminou em vias de fato – termo jurídico utilizado para o contato físico hostil, que não chega a ser agressão de que resulta lesão corporal, talvez uma marquinha na alma... No caso delas, entretanto, penso que saíram ilesas física e emocionalmente, e que a genitora não se iludiu acreditando nisso.

Já li em uma latinha da Johnson & Johnson a seguinte frase: “Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”, que resume o que se passou entre mãe e filha naquela manhã, pois, apesar de ter sido uma experiência ruim, foi possível perceber que a mãe aprendeu com a filha e com o pequeníssimo drama que vivenciaram – talvez ínfimo diante do que se vê e se ouve passar entre outras mães e filhos. Realmente, ser mãe é um aprendizado.

Quando os três filhos daquela mãe declaram guerra simultaneamente – mas geralmente é de dois por um... sempre tem um deles que assume o estereótipo misto de acusador-defensor-árbitro perante o julgador oficial (que, via de regra, é ela, a mãe) – que fica tão em dúvida, sente-se tão dividida e, portanto, inoperante, tão de mãos atadas, sem saber a quem dar razão, de quem tirar a razão, que raras são as vezes em que tem certeza do merecedor da disciplina.

Aprendi esse termo – “disciplina” - com uma espirituosa garotinha de 3 anos, quando ela disse que na escolinha ela nunca foi para a “cadeira da disciplina” – engraçado, na casa dela eu sei que ela vai sempre... Rsrsrs.

E o choro? Inclusive do ainda-não-identificado merecedor da disciplina, é copioso e digno de muita dó. Com receio, a mãe pensa: “Mas meu Deus eu sou apenas uma... como lido com os três sem ser injusta e arbitrária?”; “Será que estou sendo uma boa mãe”?

Às vezes não, certamente, e principalmente quando os ânimos dos quatro, ou dos cinco, estão alterados... embora no geral percebe-se que eles estão se saindo bem...

Com relação ao episódio supramencionado, cada um dos filhos ganhou uma bola em um aniversário, sendo que a da filha mais velha, e a do filho de 5 anos, eram da mesma cor – amarela -, mas a da primogênita era visivelmente maior. No dia seguinte, o irmão pediu para que sua mãe enchesse mais a bola dele para que ficasse do tamanho da da irmã, o que foi prontamente feito, mas, após várias tentativas, ainda não ficou do tamanho da outra porque não era o caso de enchê-la mais, a bola era realmente menor. Então, talvez vendo a dedicação que a mãe dispensava ao filho, por ciúmes a garota resolveu “infernizar” o irmão, dizendo que a bola dele era a dela, e vice-versa, deixando-o muito irritado. Como ela insistia em irritar o irmão, mesmo com a mãe pedindo para que parasse com aquilo, a mãe resolveu dar razão a ela e concordar que a bola dela (a maior) era realmente a do irmão, ao que, então, vendo que ficaria com a menor, ela voltou atrás e disse que tinha se equivocado. Mas isso depois de ter armado um pampeiro, e com uma carinha deslavada de enervar qualquer um.

A menina pegava a bola maior e mãe pegava de volta, entregando-a ao irmão, e assim sucessivamente até ficarem bastaaaaaaante irritadas uma com a outra. E o irmão esgoelando. Foi quando não vencendo a mãe fisicamente, a menina deu um tapa no braço dela... pela primeira vez... quando a mãe pensou: “espero que tenha sido o primeiro e o último”. Ela não revidou, obviamente, mas falou energicamente que jamais admitiria aquilo, e que era para a filha pedir desculpas antes de ir de castigo para o quarto. Ela foi... sem pedir desculpas...

Passado algum tempo, e vendo que a filha estava chorando, a mãe insistiu nas desculpas, mas começou a briga de novo, quando, então, ela se debruçou sobre a menina, que estava deitada na cama, e disse que só sairia dali (de cima dela) depois que se entendessem. A garota virou “o bicho” e o desespero bateu na mãe, diante do receio de estar errando, que começou a dizer o quanto a amava, tudo que tinha vivido desde o nascimento da filha, coisas que a fizeram ser mais forte e que a impulsionaram até aquele momento, quando então, emocionada, a mãe começou a chorar. De repente, o cenário mudou.

Ainda chorando e debruçada sobre a filha, ela sentiu os bracinhos finos entrelaçarem suas costas e as mãozinhas a afagarem. Nossa! Dá para imaginar a sensação... trocaram de lugar... A mãe sentiu-se tão infantil, e percebeu a filha tão madura e forte. Então a menininha, agora doce, amorosa, e absolutamente segura de si, disse: “Mãe, me desculpa, tá”, continuando a consolar a mãe com seus toques suaves, mas firmes. O alívio da genitora foi tão grande porque, esqueci de dizer, quando a filha estava enfurecida, disse que a odiava. E o respeito da mãe em relação àquela filha também foi tão grande porque com ela aprendeu que uma mãe não precisa ser sempre uma fortaleza, que a gente pode chorar sim, ficarmos sim em dúvida, em desespero, e frágeis.

Ela percebeu quão digna foi a filha, que também soube perceber a angústia dela e sentir empatia. Ela sofreu com o sofrimento da mãe.

Mas o mais interessante, que me motivou a escrever sobre isso porque chamou minha atenção, foi a circunstância de, como em um passe de mágica, todo aquele ódio verbalmente declarado transformar-se em um toque tão caloroso, afetuoso e tão cuidadoso, diante da fragilidade da mãe. Terá sido mesmo fragilidade? Só sei que diante do choro a menina sucumbiu, e foi possível, então, que todo o amor que sentem uma pela outra viesse à tona, contagiando os ânimos tão alterados, até então. Deve ser algum mecanismo psicológico que faz com que uma força se sobreponha à outra, numa escala gradativa e crescente, como que se contrabalanceando, sendo que, quando uma dessas forças, inopinada e bruscamente deixa de existir, a outra também não tem mais porque existir...

Já vi isso antes em outros episódios que não domésticos e familiares, como quando a mulher de Bill Clinton, ex-Presidente dos Estados Unidos, Hillary Clinton, era praticamente invisível à sociedade americana, ou quando não, mal-vista, apesar de ter uma carreira profissional bem sucedida. Era tida como megera que controlava tudo, inclusive o marido. Mas quando a sociedade a viu como mulher-traída (em virtude do malsinado e conhecidíssimo episódio envolvendo seu marido e a secretária), vítimizada por um escândalo de cunho sexual que mobilizou a mídia internacional e os humoristas de plantão, possivelmente ela passou a ser vista como “mulher no seu devido lugar” e agora merecedora da empatia popular. Tanto que a partir de então, teve apoio incondicional na política daquele país.

Paralelo interessante: figuras femininas fortes como Hillary Clinton, Condoleeza Rice, Luíza Erundina, Marta Suplicy, e, em outras épocas, Joana D’Arc, a Rainha Elizabeth, a ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher, Olga Benário, e muitas outras, correspondem a estereótipos bem distantes dos ostentados por aquelas figuras femininas romantizadas dos contos de fadas. Minha nossa, coitada daquela que não espera um príncipe encantado! Dessa geração, que ouvia essas estorinhas, também, quem não espera o príncipe encantado é porque foi desacreditada... e isso também não é bom. Cada um e cada uma deveria ser o que é, e ser o que basta.

Bem, como já estou divagando demais, vou descer de para-quedas da minha nuvem rosa, e terminar este texto com a pergunta que o intitulou: Porque e para que ser tão forte?