segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Orgasmo
Se não existir o destino, com certeza existe a decisão. Decidir compartilhar o prazer e sentir intensamente o carnaval. Receber em seu interior o esperado, sim, o esperado, e se envolver entrelaçadamente, em uma luta que não pressupõe o ganho ou a perda, só o empate na estupefação, que percorre toda a matéria, desde o mindinho inferior, passando pelo coração, alcançando o ápice num sussurro gutural. Luz da lua cheia, calmeiro transcendental.
sábado, 7 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Ó Morte, tú és mesmo tão forte?
Hoje encontrei inspiração para escrever sobre a Morte.
Na verdade, uma entrevista concedida pelo Vice-Presidente da República, José de Alencar, à revista Veja já tinha feito com que pensasse a respeito, mas hoje, dia de finados, tive reforçada minha inspiração.
No cemitério, enquanto eu acendia algumas velas, auxiliada por meus filhos, o do meio disse, enquanto eu rezava o Pai-Nosso: “Estamos acendendo essa vela porque hoje é dia de halloween” (engoli minha vontade de rir... Rsrs). “É, hoje é dia de halloween”, repetiu ele. Não o repreendi, nem argumentei nada porque quando saímos de casa eu disse que íamos ao cemitério rezar pelas pessoas que já morreram e que hoje é o dia reservado em intenção aos mortos. Se mesmo assim ele preferiu considerar que é dia de halloween, achei que ele ainda não está preparado para saber sobre os mortos nem sobre a Morte - na verdade, sobre o que eu penso a respeito... Rsrsrs
Nem os adultos digerem a idéia de deixar de existir sumariamente, ao menos neste plano, porque eu deveria insistir em explicar a uma criança de cinco anos algo que até a mim parece surreal? Deixei-o com a idéia de que é dia de festa e de ganhar doces... ao menos por enquanto.
Aliás, na verdade foram duas as falas inspiradoras: proferidas na entrevista do político José de Alencar e na declaração da atriz Fernanda Montenegro.
A atriz, no dia em que completou 80 anos de idade, ao final da apresentação de uma peça, disse emocionada ao público presente, composto na maioria por amigos e familiares, que quando acordou naquele dia, chorou muito porque sabia que sua vida dali para frente seria uma incógnita. Convidou os presentes para tomar vinho ou champagne, não lembro, para comemorar seu aniversário, mas em todas as palavras dela senti que a mensagem real era que não tinha motivos para comemorar. Pelas palavras sinceras e realistas, pareceu-me realmente triste.
As palavras de José de Alencar deixaram-me mais irrequieta. De início, admirei-o, para logo depois duvidar dele – claro, observei, refleti, e duvidei.
Pensei na fortaleza que seria uma pessoa que, desenganada pelos médicos americanos especialistas em câncer e cientistas de tratamentos promissores, dá uma entrevista para ser publicada em revista de ampla veiculação nacional, e durante as primeiras horas da primeira sessão de quimioterapia, isso mesmo, durante uma sessão de quimioterapia a que se submetia depois do insucesso do tratamento no exterior.
Não precisaria dizer, mas o farei porque foi justamente essa a circunstância que mais chamou minha atenção: ele fez suas declarações sobre seu atual estado de saúde durante um tratamento que deixa o paciente com náuseas, tonto e enfraquecido. Minha admiração inicial surgiu por causa disso: em uma situação em que nós, humanos, somos postos escancaradamente, indefesos, diante das “fugacidade e fragilidade cósmicas” que representamos, e buscamos, nesse momento, reserva e interiorização, ele preferiu se expor, ainda altivo.
Mas agora penso que deve ser um mecanismo mental de fuga, mas uma fuga justamente desse sentimento de pequenez à que a Morte invariavelmente nos expõe , e na tentativa de, ainda que sob circunstâncias extremamente adversas, manter o poder.
Não consegui separar as palavras de um homem que está sofrendo das palavras de um político que está sofrendo. E ele sinalizou nessa direção ao afirmar que, ao conviver com a doença e com os transtornos que ela lhe causou (fazendo menção à bolsa de colostomia e à dependência de enfermeiros), conheceu a humildade, ressaltando essa virtude como sendo o que de positivo o sofrimento lhe trouxe. Mais especificamente, admitiu que até então sempre fora impetuoso, o que também ele vê como positivo, atribuindo a essa característica o mérito por ter conseguido o que conquistou nas carreiras empresária e política.
É isso. Não quero que tenha uma conotação de frieza ou mesmo de crítica, mas do ponto de vista psicológico, para mim, no sofrimento dele diante da expectativa de morte, a impetuosidade também se manteve presente mesmo nas declarações durante a sessão de quimioterapia, e o faz sentir-se mantendo o poder.
Poder que com a impetuosidade conquistou e sempre manteve durante a vida de empresário e de político, e que quer manter diante da Morte.
A impetuosidade é uma estratégia de ação, e a humildade, de defesa.
E assim, cada qual reagimos de maneiras intrínsecas diante da "Ameaça Absoluta".
Eu que ainda não vivi essas experiências, dos 80 anos e do desengano, estou preferindo a sinceridade crua dos versos de Raul Seixas:
(...)
A morte, surda, caminha ao meu lado,
e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar
(...)
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez, seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
(...)
Ó morte, tu que és tão forte,
vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
(...)
(Canto Para a Minha Morte, Raul Seixas)
Apesar de toda a admiração pelo trabalho da atriz Fernanda Montenegro, mulher cuja dignidade enxergo na pele dela, penso que comemoraria meus 80 anos... Sim, comemoraria grata, alegre e festivamente.
Falar da Morte faz-me recordar alguns velórios... Mas quero falar só de um, por dois motivos: pelo sobrenatural – no sentido daquilo que não se explica cientificamente, e pelo que, hoje, recordo consciente. O velório do meu avô paterno.
Ele se chamava Sábado... E tinha um irmão que se chamava Domingo... Rsrsrs, mas todos o chamavam de Seu Salvador.
Quando ele faleceu eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade e lembro de uma tia comentar com a minha mãe, na noite do velório, que meu priminho de 2 anos tinha passado quase a noite inteira acordado, de pé em cima da cama, esticando as mãozinhas para o teto como que querendo alcançar alguma coisa, e dizendo: “Mãe, é o vô, ele está me dando bala, mãe”. Esse fato foi contado e recontado na minha família porque era do conhecimento de todos que meu vô vivia com os bolsos cheios de bala de mel para dar para as crianças...
Dele, eu só lembro dos olhos azuis. Só dos olhos azuis.
Que Deus o tenha! E me proteja de mim!
Na verdade, uma entrevista concedida pelo Vice-Presidente da República, José de Alencar, à revista Veja já tinha feito com que pensasse a respeito, mas hoje, dia de finados, tive reforçada minha inspiração.
No cemitério, enquanto eu acendia algumas velas, auxiliada por meus filhos, o do meio disse, enquanto eu rezava o Pai-Nosso: “Estamos acendendo essa vela porque hoje é dia de halloween” (engoli minha vontade de rir... Rsrs). “É, hoje é dia de halloween”, repetiu ele. Não o repreendi, nem argumentei nada porque quando saímos de casa eu disse que íamos ao cemitério rezar pelas pessoas que já morreram e que hoje é o dia reservado em intenção aos mortos. Se mesmo assim ele preferiu considerar que é dia de halloween, achei que ele ainda não está preparado para saber sobre os mortos nem sobre a Morte - na verdade, sobre o que eu penso a respeito... Rsrsrs
Nem os adultos digerem a idéia de deixar de existir sumariamente, ao menos neste plano, porque eu deveria insistir em explicar a uma criança de cinco anos algo que até a mim parece surreal? Deixei-o com a idéia de que é dia de festa e de ganhar doces... ao menos por enquanto.
Aliás, na verdade foram duas as falas inspiradoras: proferidas na entrevista do político José de Alencar e na declaração da atriz Fernanda Montenegro.
A atriz, no dia em que completou 80 anos de idade, ao final da apresentação de uma peça, disse emocionada ao público presente, composto na maioria por amigos e familiares, que quando acordou naquele dia, chorou muito porque sabia que sua vida dali para frente seria uma incógnita. Convidou os presentes para tomar vinho ou champagne, não lembro, para comemorar seu aniversário, mas em todas as palavras dela senti que a mensagem real era que não tinha motivos para comemorar. Pelas palavras sinceras e realistas, pareceu-me realmente triste.
As palavras de José de Alencar deixaram-me mais irrequieta. De início, admirei-o, para logo depois duvidar dele – claro, observei, refleti, e duvidei.
Pensei na fortaleza que seria uma pessoa que, desenganada pelos médicos americanos especialistas em câncer e cientistas de tratamentos promissores, dá uma entrevista para ser publicada em revista de ampla veiculação nacional, e durante as primeiras horas da primeira sessão de quimioterapia, isso mesmo, durante uma sessão de quimioterapia a que se submetia depois do insucesso do tratamento no exterior.
Não precisaria dizer, mas o farei porque foi justamente essa a circunstância que mais chamou minha atenção: ele fez suas declarações sobre seu atual estado de saúde durante um tratamento que deixa o paciente com náuseas, tonto e enfraquecido. Minha admiração inicial surgiu por causa disso: em uma situação em que nós, humanos, somos postos escancaradamente, indefesos, diante das “fugacidade e fragilidade cósmicas” que representamos, e buscamos, nesse momento, reserva e interiorização, ele preferiu se expor, ainda altivo.
Mas agora penso que deve ser um mecanismo mental de fuga, mas uma fuga justamente desse sentimento de pequenez à que a Morte invariavelmente nos expõe , e na tentativa de, ainda que sob circunstâncias extremamente adversas, manter o poder.
Não consegui separar as palavras de um homem que está sofrendo das palavras de um político que está sofrendo. E ele sinalizou nessa direção ao afirmar que, ao conviver com a doença e com os transtornos que ela lhe causou (fazendo menção à bolsa de colostomia e à dependência de enfermeiros), conheceu a humildade, ressaltando essa virtude como sendo o que de positivo o sofrimento lhe trouxe. Mais especificamente, admitiu que até então sempre fora impetuoso, o que também ele vê como positivo, atribuindo a essa característica o mérito por ter conseguido o que conquistou nas carreiras empresária e política.
É isso. Não quero que tenha uma conotação de frieza ou mesmo de crítica, mas do ponto de vista psicológico, para mim, no sofrimento dele diante da expectativa de morte, a impetuosidade também se manteve presente mesmo nas declarações durante a sessão de quimioterapia, e o faz sentir-se mantendo o poder.
Poder que com a impetuosidade conquistou e sempre manteve durante a vida de empresário e de político, e que quer manter diante da Morte.
A impetuosidade é uma estratégia de ação, e a humildade, de defesa.
E assim, cada qual reagimos de maneiras intrínsecas diante da "Ameaça Absoluta".
Eu que ainda não vivi essas experiências, dos 80 anos e do desengano, estou preferindo a sinceridade crua dos versos de Raul Seixas:
(...)
A morte, surda, caminha ao meu lado,
e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar
(...)
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez, seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
(...)
Ó morte, tu que és tão forte,
vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
(...)
(Canto Para a Minha Morte, Raul Seixas)
Apesar de toda a admiração pelo trabalho da atriz Fernanda Montenegro, mulher cuja dignidade enxergo na pele dela, penso que comemoraria meus 80 anos... Sim, comemoraria grata, alegre e festivamente.
Falar da Morte faz-me recordar alguns velórios... Mas quero falar só de um, por dois motivos: pelo sobrenatural – no sentido daquilo que não se explica cientificamente, e pelo que, hoje, recordo consciente. O velório do meu avô paterno.
Ele se chamava Sábado... E tinha um irmão que se chamava Domingo... Rsrsrs, mas todos o chamavam de Seu Salvador.
Quando ele faleceu eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade e lembro de uma tia comentar com a minha mãe, na noite do velório, que meu priminho de 2 anos tinha passado quase a noite inteira acordado, de pé em cima da cama, esticando as mãozinhas para o teto como que querendo alcançar alguma coisa, e dizendo: “Mãe, é o vô, ele está me dando bala, mãe”. Esse fato foi contado e recontado na minha família porque era do conhecimento de todos que meu vô vivia com os bolsos cheios de bala de mel para dar para as crianças...
Dele, eu só lembro dos olhos azuis. Só dos olhos azuis.
Que Deus o tenha! E me proteja de mim!
Banho de domingo
Aos domingos de manhã costumo tomar um banho beeeeemmmmmm demoraaaaaaaado... Confesso que nesse dia minha consciência ecológica perde para a minha vaidade. Hidrato os cabelos, depilo as pernas, axilas e virilha, esfolio a pele do rosto e do corpo...
Dia de diva... hehehe
Neste domingo (ontem) minha filhinha de 3 anos estava comigo durante esse momento - que dura horas. Ela me auxilia... pelo menos é o que ela acha, né! E é o que importa... Tudo o que faço em mim (menos a depilação, claro), faço com ela também... E ela sai do banheiro tão felizinha.
Mini-Diva. Rsrsrs
Mas desta vez uma frase dela chamou minha atenção: "Mãe, quando eu for adulta eu vou ter um pai para mim?" Huahauhuahau
Eu disse: Claaaaro filha, vai ter sim!!!
Nesse último domingo ela saiu mais feliz do que de costume.
Muuuuuuuuito bom isso.
Thanks God for my life!
Dia de diva... hehehe
Neste domingo (ontem) minha filhinha de 3 anos estava comigo durante esse momento - que dura horas. Ela me auxilia... pelo menos é o que ela acha, né! E é o que importa... Tudo o que faço em mim (menos a depilação, claro), faço com ela também... E ela sai do banheiro tão felizinha.
Mini-Diva. Rsrsrs
Mas desta vez uma frase dela chamou minha atenção: "Mãe, quando eu for adulta eu vou ter um pai para mim?" Huahauhuahau
Eu disse: Claaaaro filha, vai ter sim!!!
Nesse último domingo ela saiu mais feliz do que de costume.
Muuuuuuuuito bom isso.
Thanks God for my life!
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