Já quis e algumas vezes fui obrigada a ser uma filha exemplar
Para só muito depois perceber que eu não seria feliz
Já blasfemei Deus
Para depois perceber que era só porque queria sentir-me digna Dele
Já quis o celibato
Para depois perceber que não honraria a promessa
Já quis só ser desejada
Para depois perceber que o vazio grande demais seria insuportável
Já quis zelar pelas pessoas idosas
Para depois perceber que eu teria que alcançar a minha própria maturidade
Já quis responder e ser pelas criancinhas desamparadas
Para depois perceber que as feridas da minha criança podem cicatrizar
E que, hoje, três me estão próximas e precisam de mim
Já quis ser a melhor pessoa do mundo
Para depois perceber que controlo meus horrores
Já fiz promessas, nenhuma em vão
Para depois perceber que realmente, naqueles momentos, meus pés não marcaram o chão
Já quis ter a liberdade de uma errante,
embora nunca tenha tido,
Para depois perceber que meu equilíbrio depende de uma base familiar à que eu possa dedicar-me e recorrer a qualquer instante
Eu já quis...
Para depois perceber que só preciso ser eu mesma...
Mas não sempre a mesma – Rsrs
Isso já foi difícil...