Hoje percebi Clarissa,
mulher gentil e inteligente, e que, não posso omitir, deu-me a
impressão primeira de viver em tempo e lugar não condizentes com
seu ser. Para mim, ela é uma criatura extremamente inteligente e
perspicaz, cujo potencial de pensar o mundo hiberna injustamente
quando pensamos no legado em prol da Humanidade que ela poderia
deixar, ainda que singelo possa ser.
Clarissa, a mim pareceu
que, apesar disso, do potencial adormecido, e ela o sabe, é feliz.
Vive na modernidade, que muito pouco com ela combina, requebrando-se
para não cometer o crime hoje inafiançável e imprescritível, ao
qual ela tem uma forte tendência, de não estar sociável quando lhe
é necessário, tanto quanto respirar e dormir.
Ri ao observá-la,
admirando-a, porque me recorreu que também a Idade Média não
poderia ser seu tempo e lugar – certamente lhe seria pior, seria
queimada viva em uma fogueira. Ri por ela ser quem eu percebi: sem um
tempo e sem um lugar, mas existindo encantadoramente a sua maneira.